FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO
FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Após reforma, Cine Marquise volta a receber público na Avenida Paulista

Antigo Cinearte passou por reformas nas duas salas e no hall de entrada após mudança de gestão

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2021 | 13h30

Após vinte meses fechado, o Cine Marquise reabre oficialmente já a partir desta quarta-feira, 20, sob os cuidados da Tonks, nova gestora do espaço. Abrigado no Conjunto Nacional, no número 2073 da Avenida Paulista, o local passou por uma completa reforma desde o fim do Cinearte em fevereiro de 2020, pouco antes do início da pandemia do novo coronavírus, quando encerrou as atividades por questões financeiras. 

Logo na entrada, ficam evidentes as diferenças. O lobby passa a recepcionar o espectador diretamente com uma cafeteria, fazendo uma inversão com a bombonière — que, agora, fica próxima da entrada das salas. Além disso, há mais cores no ambiente e espaço para pôsteres de filmes. “O nome é para homenagear os cinemas de rua, espalhadas pelo mundo”, explica Marcelo Lima, CEO da Tonks, empresa responsável por gerir o cinema. 

Também não existe mais a figura do bilheteiro. Os ingressos, que são vendidos aos finais de semana por R$ 38, podem ser adquiridos na bombonière ou, preferencialmente, pelos totens de autoatendimento e por aplicativos on-line. Quem tiver em seu nome uma conta da Sabesp, uma das patrocinadoras do local, pode ainda pagar meia-entrada — só exibir o número do RGI, que identifica o relógio de medição de consumo de casa, para o benefício. 

Mas a mudança mais impactante, principalmente para os frequentadores de longa data do espaço, se dá dentro das salas. Agora rebatizadas de Sala Globoplay 1 e Sala Globoplay 2, por conta do patrocínio do serviço de streaming do Grupo Globo, há transformações estéticas e tecnológicas: nova tela, sistema de som Dolby de última geração, caixas de som no tetos, e poltronas mais confortáveis -- chamadas pelo cinema de “semi VIP”. Na primeira fileira, poltronas estilo chaise, como as da Cinesala.

No entanto, é interessante notar como muito do cinema quase sexagenário ainda persiste por ali. O piso das duas salas, por exemplo, foi restaurado em um delicado processo de recuperação. Além disso, Marcelo ressaltou que a programação continuará focada em filmes “de arte”.  “Não entram aqui filmes de super-heróis, blockbusters, mas filmes que fazem pensar. Principalmente independentes e nacionais. Não vamos deixar de exibir Matrix, mas vamos também exibir Marighella, Uma Noite em Veneza”, diz. 

Agora, já nos próximos dias, o Cine Marquise vai passar por uma prova de fogo: exibir filmes da programação da 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo na sala principal. Na Sala Globoplay 2, enquanto isso, Duna e Sob as Escadas de Paris. A ideia é manter esse formato de eventos especiais no espaço, como a Mostra. “Temos um auditório enorme em uma região famosa. Teremos pré-estreias, coletivas, encontros corporativos”, diz Marcelo. “Queremos que esse espaço esteja ocupado de manhã, tarde e noite para não vivermos apenas das vendas de ingressos. Queremos movimento para difundir a cultura da melhor forma possível”.

História do Cine Marquise

  • 1963: o espaço do Conjunto Nacional na Avenida Paulista virou cinema, com o nome de Cine Rio. Era uma sala de 500 lugares.
  • 1978: o Cine Rio fechou as portas logo após um incêndio que destruiu a fachada e parte do Conjunto Nacional.
  • 1982: depois de quatro anos com as portas fechadas, reabriu como Cine Arte Um.
  • 2002: já com o nome de Cinearte, o local passa a ser administrado por Adhemar de Oliveira e Leon Cakoff, executivos da área de São Paulo.
  • 2005: com um novo patrocínio, passa a se chamar Cine Bombril.
  • 2010: de novo, mudanças. Agora o patrocínio faz o local mudar para o nome de Cine Livraria Cultura.
  • 2018: depois da livraria interromper o patrocínio, chega a vez do cinema passar a se chamar Cinearte Petrobras.
  • 2019: no entanto, o patrocínio dura pouco. A empresa deixa de fazer investimentos por orientação do governo federal e o local volta a ser o Cinearte.
  • 2020: em fevereiro, depois de quase um ano sem patrocínio, Adhemar de Oliveira encerra as atividades.
  • 2021: sob cuidados do grupo Tonks, o local reabre com o nome de Cine Marquise.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.