Após ano intenso, Cate Blanchett quer reduzir ritmo

A atriz australiana Cate Blanchett é a estrela de três filmes que estão sendo lançados para a temporada do Oscar, mas diz que não pretende manter esse ritmo tão acelerado.Cate faz papéis bem diferentes em Babel, com Brad Pitt, em O Segredo de Berlim, com George Clooney, e em Notes on a Scandal, com Judi Dench. Babel, dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu concorre, em sete categorias, ao Globo de Ouro, prêmio cinematográfico considerado uma prévia do Oscar. Ela pode ser premiada na categoria melhor atriz coadjuvante.Cate, de 37 anos, junto com o marido, o dramaturgo Andrew Upton, foi recentemente nomeada diretora da Companhia do Teatro de Sydney, onde ela começou sua carreira, há 13 anos. Com o novo posto, a atriz diz que só vai filmar por três meses a cada ano. Mãe de dois filhos, ela falou à Reuters sobre suas atuações, sobre o retorno à Austrália e sobre seu novo assunto favorito: o meio ambiente. Confira:Como você conseguiu fazer a passagem, em tão poucos dias, entre papéis tão diferentes como os de "Notes on a Scandal" para o de O Bom Alemão?Só me preparei. Não acho que conseguiria ter feito isso há cinco ou seis anos, mas agora acho que tenho uma facilidade maior, só por fazer esse tipo de coisa. Mas é verdade que entrei em pânico quando aterrissei (em Los Angeles) e o diretor Steven Soderbergh mudou de idéia e quis que eu falasse alemão. Foi quando eu disse: Tudo bem, o que vou fazer agora? Normalmente a gente tem uns seis meses para se preparar. Você ganhou o Oscar em 2005 de melhor atriz coadjuvante em O Aviador. Como você vê o Oscar?Há um imenso enfoque da imprensa no prêmio, mais do que há um foco dos atores nele. É só que, se você não for indicado, será que isso significa que seu trabalho não é bom? Não acho que mereço ganhar e não acho que merecia ganhar quando ganhei. Não significa que você é melhor, só significa que você conseguiu dois votos a mais que alguém. Sua carga de filmagens vai diminuir quando você assumir o posto na Companhia do Teatro de Sydney, em 2008?Eu não conseguiria manter o nível de filmes que fiz em 2005. Foi um ano extraordinário, fazendo Babel, Notes e O Bom Alemão. Embora tenha sido absolutamente emocionante e há atrizes que não têm essa chance na vida inteira, ainda mais num ano, eu não poderia fazer isso todo ano. Qual é o apelo de voltar à Austrália, além do posto na companhia?É a cultura à qual estamos constantemente apoiados e na qual nos inspiramos, e acho também que, com crianças, é a nossa casa. E há muito a ser feito em termos ambientais na Austrália. Estamos ficando sem água. Você disse que não faz planos qüinqüenais, mas o que prevê para o resto de sua carreira?Se conseguirmos "tornar verde" a sede da Companhia do Teatro de Sydney, isso seria uma grande conquista. Adoraria ver o governo da Austrália dando isenções para pessoas que armazenem ou reciclem a água ou usem painéis de energia solar. E em termos de atuação?Bem, é preciso usar seus poderes pelo bem, assim como para promover a cultura. Acho que trabalhar com a Companhia do Teatro de Sydney - e isso não é algo que se faça por um ou dois anos - para que a companhia avance, se a diretoria nos aceitar, é um compromisso de longo prazo.

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