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Apesar da crise, Festival do Rio resiste às dificuldades

Evento que começa nesta quinta, 1, tem empoderamento e traição na trama de abertura

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2018 | 21h48

Luz, câmera, ação! Depois de mil percalços – mudança de data, a crise medonha na administração pública e nas finanças cariocas, e a Prefeitura sempre foi grande patrocinadora do evento –, o Festival do Rio resiste a tudo e esta noite estende o tapete vermelho para iniciar mais uma edição. O Rio precisa do glamour do festival, do abraço que ele representa. O filme de abertura não poderia ser mais sob medida. As Viúvas, o novo Steve McQueen. Em plena fase de empoderamento feminino, Viola Davis, Michelle Rodriguez e Elizabeth Debicki pegam em armas para concluir o assalto que os maridos não finalizaram.

Conseguirão? Com toda certeza, como as meninas do Rio, as diretoras do festival Ilda Santiago, Walkiria Barbosa e Vilma Lustosa também conseguiram superar-se para colocar na rua um evento talvez mais enxuto, mas que nem por isso deixa de ser superlativo, com centenas de filmes e dezenas de pontos de exibição na cidade. McQueen, homônimo do astro dos anos 1960 e 1970 e grande diretor, vai surpreender com esse relato violento de ação. No centro de tudo, o tema da traição tratado com muita densidade. Não perca tempo com comparações a Oito Mulheres e Um Segredo. É outro departamento.

Algumas das maiores atrações nacionais e internacionais do Festival do Rio já passaram pela Mostra. A Casa Que Jack Construiu, de Lars Von Trier, cujo lançamento no Rio (a estreia em SP é esta semana) está sendo segurado para que passe antes no festival; Vidas Duplas, de Olivier Assayas, e o diferencial é que o diretor está vindo apresentar seu filme. Outras atrações – inéditas – incluem A Pé Ele Não Vai Longe, de Gus Van Sant, e O Massacre de Peterloo, considerado o melhor filme ‘histórico’ de Mike Leigh e o melhor trabalho do diretor desde Segredos e Mentiras. Algumas presenças confirmadas, além de Assayas: a diretora chilena Dominga Sotomayor Castillo, o francês Antony Cordier e o argentino Gastón Duprat, de O Cidadão Ilustre. Todos com novos filmes – Tarde Demais para Morrer Jovem, A Excêntrica Família Gaspard e Minha Obra-prima.

O italiano Pappi Corsicato vem ao Brasil para conversar com o público do Rio sobre o documentário Julian Schnabel – Retrato do Artista, que flagra o cineasta em momento de pungente solidão, após a morte do amigo, o músico Lou Reed. O próprio Schnabel dirige Willem Dafoe na pele do pintor Van Gogh em No Portal da Eternidade, há pouco premiado em Veneza. 

Mais até que o Lars Von Trier, deve causar frisson Humanpersons, de Frank Spano, sobre um imigrante latino ligado ao crime organizado nos EUA e que recebe a sinistra missão de viajar a Medellín em busca de um fígado humano para transplante. O terror da realidade supera o da ficção, mas convém não subestimar o aporte da Première Brasil. A tradicional vitrine da produção brasileira possui suas atrações especiais, e depois de lançar (e premiar) As Boas Maneiras no ano passado, a seção que é a menina dos olhos do festival abre de novo espaço para o terror com Morto não Fala, estrelado por Daniel de Oliveira. E, claro, o tapete vermelho de Simonal, o belo filme de Leonardo Domingues, ganhará mais brilho com as presenças de Fabrício Boliveira e Isis Valverde.

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