Aos 84 anos, June Squibb recebe aplausos no Oscar 2014 pela vida dedicada à arte

Atuação em ‘Nebraska’ dá à atriz a oportunidade de mostrar talento que enfim é reconhecido

O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2014 | 19h49

Foram décadas batendo de porta em porta e aceitando qualquer papel até que aparecessem as primeiras chances para June Squibb. Broadway, teatro, cabarés e pontas no cinema... O fim dessa longa caminhada pode ter seu momento triunfal no próximo domingo no Oscar 2014, em que, aos 84 anos, ela concorre ao prêmio de melhor atriz coadjuvante por seu papel em Nebraska, de Alexander Payne.

Ela é um dos muitos destaques do filme que compete por outras cinco estatuetas, incluindo melhor filme. É Kate Grant, uma matriarca desbocada, quase vulgar, que vive no centro dos Estados Unidos. Numa cena memorável, levanta a saia diante de uma lápide.

O papel lhe traz um reconhecimento inédito em seus 60 anos de trajetória, que começou na Broadway com o papel da nudista Electra em Gypsy, em 1960.

June, que tem a simplicidade de Kate, mas não sua franqueza rude, tem desfrutado da atenção com uma gratidão sincera, mesmo que ainda um pouco desconcertada.

"Não comecei a atuar de repente, faço isso há anos. Amo o cinema, e o fato de o reconhecimento ter vindo por ele, e não pelo teatro, faz com que eu me sinta parte desse mundo."

Filha de um vendedor de seguros e de uma pianista, viveu na pequena cidade de Vandalia, em Illinois. "Nunca disse ‘quero ser isto’ ou ‘vou fazer aquilo’. Mas sabia que era ‘atriz’. Não tenho ideia de como isso me veio à cabeça."

June trabalhou especialmente em musicais antes de pular para o teatro dramático. De lá, saltou para o cinema. Foi só aos 60 anos que a transição aconteceu, mas ela conseguiu trabalhar em filmes importantes: Simplesmente Alice, de Woody Allen, Perfume de Mulher, de Martin Brest, e A Época da Inocência, de Martim Scorsese.

Foi a atriz Margo Mardindale, que trabalhou no episódio de Payne para Paris, Eu Te Amo quem recomendou o roteiro de Nebraska a June. Ela já havia trabalhado com Payne antes, em As Confissões de Schmidt, mas não era o primeiro nome na cabeça do diretor para o papel neste filme. Tudo mudou quando a atriz enviou um vídeo com duas versões de Kate, uma explosiva e outra controlada.

No longa, a personagem a princípio se apresenta como uma típica esposa impetuosa e reclamona, no caso, do protagonista Woody (Bruce Dern). Já com sinais de senilidade, ele recebe uma propaganda via correio dizendo que venceu US$ 1 milhão e resolve ir andando para buscar o prêmio em outra cidade. Para evitar que isso aconteça, o filho caçula do casal decide levá-lo de carro, e é durante a viagem que o enredo se desenrola.

Embora boa parte do roteiro foque a relação entre pai e filho, a personagem de June coloca um tempero na história melancólica, fornecendo grande força àquela estrutura familiar. Os personagens de ambos retratam um casamento que resistiu aos anos mantido não apenas pelo amor, mas, acima de tudo, pelo desejo do casal de se manter unido.

Dern, que aos 77 anos também vive o momento do grande aplauso tardio, vê similaridades entre sua trajetória e a de sua companheira nas telas. "Sua causa é similar à minha, se quiser chamar isto de causa. Ela teve de aceitar por muito tempo qualquer papel que surgisse até que alguém finalmente escreveu um personagem para ela."

June pretende assistir à cerimônia do Oscar com seu filho, Harry Kakatsakis, que é cineasta. Ela estava com ele no dia das indicações. "Diga Harry, é sério que disseram meu nome?", lembra a atriz. "Não tinha certeza totalmente. E ele respondeu: ‘Sim, mamãe, disseram. Você conseguiu.’" / AP / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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