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Antonio Pitanga é homenageado na Cinemateca

Ator estará presente para a exibição de 'Câncer', de Glauber Rocha, e 'A Grande Cidade', de Cacá Digues, na mostra do Cinema Novo 

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2015 | 15h30

Antonio Sampaio, pouca gente sabe quem é. Já Antonio Pitanga, quase todo mundo sabe. Grande ator, figura marcante do Cinema Novo, Pitanga adotou como seu o nome do personagem do primeiro filme, Bahia de Todos os Santos, de Trigueirinho Neto. Passou a ser Antonio Pitanga e deu início a uma carreira notável. 

Dois dos seus filmes mais interessantes serão apresentados no sábado, 30, pela Cinemateca Brasileira, com sua presença, no quadro da mostra sobre o Cinema Novo: A Grande Cidade, de Cacá Diegues, e Câncer, de Glauber Rocha. Além deles, Pitanga está presente em vários outros títulos da retrospectiva: Bahia de Todos os Santos, A Grande Feira, Barravento, Tocaia no Asfalto, Os Fuzis, Ganga Zumba, Esse Mundo É Meu, Quando o Carnaval Chegar e A Idade da Terra, o grandioso e enigmático testamento de Glauber, no qual o ator interpreta o Cristo Negro. 

Em A Grande Cidade, dilacerado e belo trabalho de Cacá, Pitanga é Calunga, um desocupado que "protege" a indefesa Luzia (Anecy Rocha, irmã de Glauber) em sua aventura urbana. O tema, comum naquela época, 1966, era a voracidade da cidade grande em relação aos que chegam a ela sem os anticorpos urbanos. No caso, Luzia, que procura seu noivo Jasão (Leonardo Villar), mas acaba caindo na rede de Calunga. 

Câncer (1968-1972)  é um dos trabalhos mais ousados e experimentais de Glauber Rocha. O diretor o filmou em 16 mm e deixava a bobina rodar até o fim, enquanto os atores improvisavam em torno dos temas do filme. São hilários os improvisos de Pitanga, Hugo Carvana e Odete Lara. Pitanga e Carvana são dois marginais, em meio a uma sociedade em plena dissolução. Rodado em total liberdade, Câncer antecipa a estética do Cinema Marginal que viria depois e, por ironia, em oposição a um movimento, o Cinema Novo, que tinha o baiano como expoente. 

Considerado grande ativista da causa negra, o baiano de Salvador Antonio Pitanga tem seu currículo nada menos que 50 filmes. 

Dirigiu Na Boca do Mundo, com roteiro de Cacá Diegues e Leopoldo Serran. Acalenta, há anos, um projeto de longa-metragem sobre a Revolta dos Malês, na Bahia. Entre seus inúmeros méritos e talentos, também é pai da atriz Camila Pitanga, o que não é uma pequena contribuição para a humanidade. 

Cinemateca brasileira

Largo senador raul cardoso, 207, Vila Clementino

Telefone: 3512-6111

Grátis. Até 14/6

 

 


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