REUTERS/Andrea Comas
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Antonio Banderas sobre o Oscar: 'Não sou Favorito'

Ator se pronunciou sobre a disputa por atuação em ‘Dor e Glória’, de Pedro Almodóvar

EFE / BARCELONA, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2020 | 09h00

Depois de receber, no último sábado, 25, o Prêmio Goya de melhor ator, Antonio Banderas passou por Barcelona na segunda-feira, 27, a caminho dos Estados Unidos, onde chegou à noite. “Estou relaxado porque eu não sou o favorito”, confessou, para enfrentar o trecho final da corrida do Oscar.

“Para você ser indicado, uma boa interpretação não é suficiente. Você também tem que dizer ‘Eu quero o Oscar’ e fazer promoção do filme. É por isso que é um milagre que eu seja indicado sem ter promovido Dor e Glória, porque estava fazendo teatro em Málaga.”

Antonio Banderas, de 59 anos, disputa o Oscar de melhor ator por Dor e Glória, de Pedro Almodóvar, com concorrentes do nível de Joaquin Phoenix, Leonardo DiCaprio, Jonathan Pryce e Adam Driver.

“Tenho concorrentes que atuam em filmes de grande bilheteria e que são falados em inglês, enquanto temos um filme precioso, porém pequeno, falado em espanhol, que não é o idioma principal dos Estados Unidos. Por isso, temos poucas chances”, afirmou.

Apesar de tudo, Banderas viajou para os EUA pronto para entrar na série de entrevistas. “Também estou ansioso para ver meus filhos e me divertir.”

O ator não entrou no “jogo da corrida ao Oscar” até agora porque estava fazendo “algo muito importante”: desempenhar o papel de Zach em A Chorus Line (Em Busca da Fama), a peça com a qual ele inaugurou o Teatro del Soho em Málaga, sua cidade natal, e que em 21 de fevereiro chega ao Teatro Tívoli de Barcelona.

O cantor e ator espanhol Pablo Puyol o substituirá a partir de agora no comando do elenco, porque Banderas estava no palco em Málaga “como uma exigência própria”, mas o espírito da peça “exige que atores não tão conhecidos a interpretem”.

Banderas escolheu essa peça para inaugurar o Teatro del Soho porque “é um musical que significou uma mudança de paradigma na Broadway, que parou de narrar a história de um jovem que consegue contar as histórias dos dançarinos que ninguém conhece, mas que são os que mantêm vivo o teatro musical”.

O Teatro del Soho é um projeto muito pessoal de Antonio Banderas, que ele conseguiu inaugurar em novembro passado “depois de 20 anos sonhando em fazê-lo”. Lluís Pasqual foi o diretor artístico desse sonho tornado realidade por um ano, até a semana passada, tendo anunciado sua demissão em uma carta.

“Lluís me ajudou a começar e me apresentou a pessoas que são minha equipe de gerenciamento atual e com quem continuarei trabalhando”, acrescentou. Enfim, “Lluís Pasqual não sai, porque virá como diretor de teatro”, falou ainda. 

Para Banderas, o retorno ao teatro foi “uma grande satisfação”, que tem muito a ver com as coisas que aconteceram com ele nos últimos três anos e que o mudaram “profundamente”.

Após o enfarte que sofreu há três anos, em 26 de janeiro de 2017, o ator confessou que se tornou “mais simples” e se preocupa apenas com o que faz a cada momento. “Sem pensar para onde cada decisão leva você.”

“O ataque cardíaco foi uma experiência profunda e muitas das coisas que ficaram dentro de mim estão no filme de Pedro Almodóvar, porque ele as viu”, revelou também.

Nessa nova etapa de sua vida, Banderas voltou-se para o teatro porque é “uma arte efêmera que permanece na memória e que vai contra a maré em um mundo em que parece que coisas que não são gravadas não acontecem”. 

“O maior inimigo do sucesso é a ansiedade para alcançá-lo, por isso estou convencido de que se você relaxar e viver as coisas com mais simplicidade e tranquilidade, tudo ficará bem”, disse ele. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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