Ryan Lowry/The New York Times
Ryan Lowry/The New York Times

Antonio Banderas, o zorro e o confrade, completa 60 anos

Desde o seu primeiro filme, 'Labirinto de Paixões' (1982), Banderas participou de mais de uma centena de longas e curtas-metragens, dirigiu dois, produziu outros nove e estrelou centenas de comerciais

Alicia G. Arribas, EFE

10 de agosto de 2020 | 18h54

MADRI — Sexy, brilhante, divertido, natural de Málaga, de família, afetuoso, trabalhador, muito trabalhador, teimoso, às vezes, pé-frio e único. Todas essas palavras, e mais algumas, têm acompanhado cada aventura profissional do ator espanhol Antonio Banderas, o zorro e o confrade, que completa 60 anos nesta segunda-feira, 10.

Desde o seu primeiro filme, Labirinto de Paixões (1982), Banderas participou de mais de uma centena de longas e curtas-metragens, dirigiu dois (Loucos do Alabama, 1999, e O Caminho dos Ingleses, 2006), produziu outros nove — três deles filmes de animação pela sua produtora Green Moon — e estrelou centenas de comerciais, incluindo aqueles de suas próprias fragrâncias.

Sua imagem é sinônimo de prestígio e rentabilidade. E sempre foi assim quando ele trabalhou para outras pessoas. Em 1996, ele cobrou US$ 4 milhões por Evita e em 2001, US$ 12 milhões por O Corpo. São apenas dois valores que se tem conhecimento (os artistas não costumam divulgar seus salários), mas dão uma ideia de seu cachê.

Devemos lembrar uma das peculiaridades de Banderas, sua decisão de investir na Espanha o dinheiro ganho em seus projetos internacionais, de imóveis a uma adega, uma locadora de barcos, restaurantes, seu azeite Patio de Banderas, ou seu teatro, entre outros. E, claro, em cinemas, teatro ou sites para artistas, como a plataforma Vibuk.

Seu primeiro filme como diretor foi Loucos do Alabama, rodado em inglês, estrelado por sua então esposa Melanie Griffith, mas duramente recebido pelos críticos (nota 4,5 no Rotten Tomatoes). Já o segundo, recebeu da FilmAffinity um 5,2, chegando perto da média para ser aprovado, embora O Caminho dos Ingleses tenha sido indicado para os prêmios Goya da Espanha e para a Berlinale.

Não dirigiu seu último projeto pessoal no cinema, mas o estrelou. Com O Agente do Futuro, Banderas sofreu uma grande decepção. Gostou do filme de Gabe Ibáñez e acreditou nele, mas também não recebeu o retorno que esperava.

Das seis vezes em que concorreu por um Goya, só o conseguiu com Dor e Glória, o filme que o compensou por todos os prêmios que não lhe deram, embora tenha um Goya de Honra, que dedicou emocionado à filha Stella del Carmen, pelas horas que não pôde passar com ela por causa do trabalho.

Carlos Saura, Rafael Monleón, Fernando Colomo, Montxo Armendáriz, Félix Rotaeta, Gerardo Vera, José Luis García Sánchez e, claro, Pedro Almodóvar, o dirigiram em filmes que o público espanhol carrega na memória: A Corte do Faraó, Los Zancos, Baton Rouge, Bajarse Al Moro.

Mas a lista de diretores internacionais não é menor: com Arne Glimcher fez Los Reyes Del Mambo Tocan Canciones de Amor, onde canta e toca trompete; com Billi August, Jeremy Irons e Meryl Streep, A Casa dos Espíritos; com Jonathan Demme e Tom Hanks, Filadélfia, e o maravilhoso Entrevista com o Vampiro com Neil Jordan, Brad Pitt e Tom Cruise.

Isso não aconteceu, mas muitos desses trabalhos mereciam pelo menos uma indicação ao Oscar.

Todos esses filmes foram feitos entre 1992 e 1994, mesmo ele tendo chegado aos Estados Unidos sem saber inglês em 1991. Mas a partir de 1995, sua popularidade cresceu e cresceu, e mais com Desperado, Grande Hotel ou Assassinos, e terminou o ano com Quero Dizer Que Te Amo, a comédia do espanhol Fernando Trueba na qual conheceu Melanie Griffitt.

Em 1996 participou de um de seus filmes mais conhecidos mundialmente: A Máscara do Zorro, um filme que arrecadou mais de 250 milhões de euros.

O Zorro abriu um novo universo para um dos homens mais sexy do mundo: os filmes para toda a família. E ele fez parte da saga Pequenos Espiões e se tornou o gato das botas de Shrek.

Enquanto isso, ele continuava participando de filmes de ação (Era Uma Vez no México, O Corpo, O 13º Guerreiro), provocantes (Pecado Original, com Angelina Jolie, Femme Fatale, de Brian de Palma), drama (Visões) e um com Woody Allen, Você Vai Conhecer o Homem Dos Seus Sonhos. E muitos mais, até ultrapassar os cem em 2020.

Em 2011 voltou a trabalhar com Almodóvar para compor o personagem mais contido de todos os que já fez para o manchego: o médico Robert Ledgard de A Pele Que Habito.

Em menos de dez anos, estes últimos, Banderas conseguiu alcançar muitas das metas que corria trás. Quem o conhece fala da influência positiva de sua nova companheira, a empresária alemã Nicole Kimpel, nascida em 1980.

Sofreu um infarto em 2017, do qual está totalmente recuperado, embora seu cardiologista ainda sofra ao vê-lo atender a imprensa ao redor do mundo após ganhar todos os prêmios possíveis — exceto o Oscar, mais uma vez — por seu protagonista de Dor e Glória, a última e frutífera aventura com Almodóvar.

Depois de comprar seu teatro no Soho da sua cidade natal, Málaga, e de embarcar em um dos projetos mais caros da sua vida, também a nível pessoal, e quando tudo ia bem — muito bem, todos os ingressos vendidos para o seu musical A Chorus Line — a pandemia chegou. E ele se reinventou outra vez.

Com sua amiga, a jornalista espanhola María Casado, montou uma produtora de televisão conhecida por organizar a gala de entrega dos prêmios Goya de 2021, tendo ele mesmo como anfitrião e apresentador.

E assim comemora seu 60º aniversário, saltando novamente para o vazio, como quando deixou Málaga aos 19 anos com 15 mil pesetas no bolso e os olhos mais brilhantes do cinema espanhol.

A propósito, toda segunda-feira de agosto a partir de terça-feira, 11, o canal TCM comemora seu aniversário com alguns de seus filmes: A Lei do Desejo, Filadélfia, Entrevista Com o Vampiro ou Ruby Sparks — A Namorada Perfeita. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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