´Anticristo´, de Lars Von Trier, abre a polêmica em Cannes

Filme com tom religioso e ingredientes sádicos foi vaiado; diretor disse que se considera ´o melhor do mundo´

Efe

18 de maio de 2009 | 11h08

O cineasta dinamarquês Lars Von Trier gerou polêmica nesta segunda, 18, em Cannes, com seu filme "Anticristo", que gerou indignação no público e inaugurou as vaias no festival.

 

Veja também:

blog Acompanhe a cobertura pelo blog do enviado Luiz Carlos Merten

 

"Não tenho que me justificar, eu faço filmes e este é fruto da vontade de Deus", disse o diretor após a projeção, ao ser questionado por um repórter que perguntou qual era a razão do filme. "Faço filmes para mim e vocês são apenas meus convidados", disse.

 

Lars von Trier, que já ganhou a Palma de Ouro por "Dançando no Escuro" (2000), parecia encantado com a situação e afirmou que se considera "o melhor diretor do mundo".

 

"Anticristo", protagonizado por Charlotte Gainsbourg e Williem Dafoe, conta a história de um casal que tenta superar a morte de seu filho pequeno, que caiu pela janela enquanto os pais transavam. O método utilizado: trancafiar-se em uma cabana na floresta e enfrentar seus medos.

 

Von Trier, que abordou o sofrimento de perto e quase sempre com bons resultados, como em Dogvile" (2003) e "Ondas do Destino" (1996), desta vez propõe uma sessão de sadismo ao espectador sem base artística, o que provocou risos durante os momentos mais importantes do filme e vaias ao final da projeção.

 

Pernas perfuradas por brocas, mutilação genital, ejaculações sangrentas e violência impiedosa são os ingredientes do filme, estruturado em capítulos com um tom explicitamente religioso.

 

Apesar da ironia que exibiu aos meios de comunicação, Von Trier reconheceu que fazer o filme foi uma forma de "terapia" para superar a depressão que enfrenta há dois anos e, por isso, o considera a experiência profissional mais importante de sua carreira. "A rotina de gravação foi boa para mim, mas ainda não encontrei harmonia em minha vida", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.