AFP PHOTO / TIZIANA FABI
AFP PHOTO / TIZIANA FABI

Anita Ekberg ficou imortalizada pelo filme 'A Doce Vida'

Atriz, que morreu domingo, 11, aos 83 anos, ficou marcada por sua atuação na obra dirigida por Federico Fellini

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2015 | 18h20

São imagens emblemáticas do erotismo. Marilyn Monroe novento do metrô que levanta sua saia e mostra a calcinha em O Pecado Mora aoLado de Billy Wilder, de 1955. No ano seguinte, a jovem Brigitte Bardotdançando na praia em E Deus a Criou a Mulher, de Roger Vadim. E, em 1958,Elizabeth Taylor naquela combinação, como a mulher que arde de desejo pelomarido, mas Paul Newman não quer saber dela em Gata em Teto de Zinco Quente, deRichard Brooks. Na segunda metade dos anos 1950, Hollywood e o mundo estavammudando. Explodindo – antecipando as mudanças que estavam chegando.

Anita Ekberg, que morreu ontem, aos 83 anos, foi parteimportante dessas transformações comportamentais. Tudo por causa de um filmeque fez com Federico Fellini. Em 1960, o grande diretor Federico Fellini captoucomo um antena o que passava e fez o emblemático A Doce Vida. Um jornalista, emRoma, participa do mundo dos ricos como dos miseráveis. Dorme com umamilionária na cama da prostituta e acompanha a estrela de Hollywood que vai teruma audiência com o padre. Silvia é seu nome e ela se veste de padreestilizado. No fim da noite, o jornalista – Marcello – e ela perseguem um gatonos becos de Roma. Ela entra na Fontana di Trevi. Fica seminua. A cena deMarcello Mastroianni e Anita Ekberg na fontana entrou para a história do cinema– e para o imaginário coletivo do século 20. A exuberante Anita – Anitona –virou ícone.

Ettore Scola recriou a cena em Nós Que nos Amávamos Tanto,de 1975, e fazer como Anita era o sonho de China Zorrilla em Elsa e Fred, filmeargentino de Marcos Carnavale, de 2005. Elsa e Fred ganhou versão em línguainglesa de Michael Radford, com Shirley MacLaine. Os homens sempre desejaramAnita, as mulheres a invejavam. Anita Ekberg morreu ontem num hopital de Roccadi Papa, cidadezinha próxima de Roma, com 15 mil habitantes, na qual vivia.Tinha 83 anos. Em 1960, no ano de A Doce Vida, 29 anos e uma carreira de dezanos não muito expressivos. Ex-Miss Suécia – nasceu em Malmö, em b1931 –, foipara os EUA participar do concurso de Miss Universo. Perdeu, mas foi parar emHollywood. Fez filmes vagabundos, teve participações em produções de prestígio(o Guerra e Paz de King Vidor). Com o diretor Frank Tashlin e a dupla JerryLewis/Dean Martin, fez Artistas e Modelos, um pequeno papel, e Ou Vai ou Racha,com destaque maior. Mas a exoplosão foi com A Doce Vida.

De novo com Fellini fez o episódio de Boccaccio 70 – umamulher gigantesca sai de um outdoor de propaganda de leite para assombrar comseus seios um tal Sr. Antônio. Fez ainda uma pequena participação em I Clowns,de 1970, e outra maior em Entrevista, de 1987. Como Fellini, Jerry Lewis tambémtinha fixação nas formas exuberantes de Anita Ekberg, porque nos anos 1960 elavoltou em Um Biruta em Órbita, que ele fez com Gordon Douglas. O próprioDouglas já a havia dirigido em outra comédia, Rififi no Safári, com Bob Hope.Com Frank Sinatra e Dean Martin, fez o western cômico Quatro Heróis do Texas.Na fase de decadência, voltou aos filmes vagabundos – o terror A FreiraAssassina. Casou-se duas vezes, com Anthony Steel e Rick Van Nutten, mas seugrande amor teria sido o milionário Gianni Agnelli, dono da Fiat, com quem teveum tórrido affair.

Mais conteúdo sobre:
Cinema

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.