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Animação 'Red' fala sobre puberdade e crescimento

Com mulheres na liderança da produção, filme traz um panda como protagonista

Silvia García Herráez, EFE

17 de fevereiro de 2022 | 16h00

O novo filme da Pixar, Red, que chega à Disney+ no próximo dia 11 de março, apresenta uma história sobre a diversidade, o crescimento e o que é ter 13 anos, inspirada na relação da realizadora com a sua mãe. O filme é também o primeiro do estúdio com uma equipa de liderança exclusivamente feminina.

"Foi muito emocionante trabalhar com uma equipa de mulheres incrivelmente talentosas. Tivemos uma ligação especial desde o início do filme; todas sabíamos muito bem o que queríamos transmitir, porque de uma maneira ou outra nos sentíamos refletidas", aponta a produtora Lindsey Collins na apresentação da longa-metragem.

Além da realizadora Domee Shi e de Collins, Red conta ainda com mulheres noutros cargos chave nos bastidores.

Patty Kihm é a animadora supervisora do filme, Rona Liu é a sua designer de produção e Danielle Feinberg, que trabalhou como diretora de fotografia e iluminação em WALL-E, Brave e Coco, é a supervisora de efeitos visuais, tornando-se na primeira mulher a ocupar esse cargo no estúdio em 20 anos.

Segundo foi anunciado em janeiro pela Disney e a Pixar, Red vai dispensar os cinemas e optar antes pelo streaming, algo que não foi muito bem recebido pelos criadores, que pensavam que esta obra iria representar o regresso do estúdio ao grande público depois das estreias de Soul e Luca na plataforma online.

O filme número 25 da Pixar apresenta Mei Lee, uma jovem de 13 anos algo diferente mas segura de si própria, dividida entre ser a filha obediente que a sua mãe quer que seja e o caos próprio da adolescência. Contudo, a mãe, Ming (interpretada pela atriz canadiana de ascendência sul-coreana Sandra Oh), bastante protetora e um pouco autoritária, não se separa dela.

 

A METÁFORA DO GRANDE PANDA VERMELHO

Como se as mudanças no seu corpo, interesses e relações não fossem suficientes, cada vez que se emociona demasiado -o que acontece frequentemente-, torna-se num panda vermelho gigante.

A realizadora confessa que o filme é baseado na sua própria relação com a mãe: "Nasci em Chongqing (China) e emigrei para Toronto (Canadá) quando tinha dois anos. E como Mei Lee no filme, sou filha única. Sempre fui muito próxima dos meus pais, especialmente da minha mãe, já que o meu pai tinha que se ausentar com frequência devido ao trabalho. Ela e eu éramos inseparáveis, fazíamos tudo juntas", conta.

"No entanto, quando chegou a adolescência comecei a entrar no animé, na banda desenhada, e saía cada vez mais com os meus amigos e menos com a minha mãe. Ela não entendia por que estava obcecada com essas personagens fictícias e por que gostava de estar mais tempo sozinha, e eu simplesmente estava a crescer", acrescenta entre risos.

Segundo a realizadora, certos elementos do filme, como o caderno secreto de Mei cheio de desenhos de sereias, são homenagens à sua própria experiência ao crescer.

Shi explica ainda que a transformação da protagonista num panda vermelho gigante "é uma metáfora da puberdade", uma etapa na qual os adolescentes têm os sentimentos à flor da pele e sentem muita vergonha em certas situações. Red está inspirado nesta luta universal de crescer e descobrir como gerir essa situação, como honrar os teus pais, mas também ser fiel a ti própria", diz.

"Quisemos usar o panda vermelho como uma metáfora do desagradável fenómeno da puberdade, com todas as mudanças aterradoras, incómodas e embaraçosas que atravessamos durante esta etapa. De como da noite para o dia se está coberto de cabelo, se cheira mais forte, sempre com fome e as emoções estão por toda a parte", incide.

 

 

ORIENTE E OCIDENTE

No estilo de animação de Red, e até certo ponto, na profundidade de todo o filme, o "Oriente encontra-se com o Ocidente", segundo os seus criadores, ao misturar ícones da cultura pop ocidental da década de 2000, como as bandas de adolescentes e os acessórios brilhantes, com influências orientais dos filmes de animé e programas de televisão. "Um termo que usei muito foi 'sonho de febre pré-adolescente asiática", assinala a realizadora.

"Adoro o quão expressivo é o animé e como as personagens podem mudar de expressão num ápice. Pode-se passar de muito, muito enjoada a muito, muito triste... acho que utilizam a animação de forma genial e audaz. Inspirei-me muito nisto ao fazer este filme”, explica Shi.

 

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