Reprodução
Reprodução

Animação leva ‘Tangos & Tragédias’ ao cinema

‘Até Que a Sbórnia nos Separe’ levou 10 anos para estrear e é inspirada pelo musical que fez sucesso no Brasil inteiro

Gabriela Korman, Especial para O Estado de S. Paulo

02 de novembro de 2014 | 17h29

Navegando pelos mares do mundo, a Sbórnia saiu dos palcos de teatro para as telas de cinema. O longa-metragem de animação Até Que A Sbórnia Nos Separe, de Otto Guerra, estreia após 10 anos de desenvolvimento e produção e narra as aventuras do Maestro Plestkaya e Kraunus Sang, dupla da comédia musical Tangos & Tragédias, de Nico Nicolaiewsky e Hique Gomez. 

A Sbórnia é um país fictício que foi separado do continente por sucessivas explosões e passa a viver à deriva. O filme é uma livre adaptação da peça e recria esse universo mostrando o que acontece quando o país, isolado e parado no tempo, sofre um choque cultural ao voltar a ter contato com o mundo exterior. 

Para contar as aventuras de um povo em conflito com seus costumes, Arlete Salles e André Abujamra dão vida a alguns dos cidadãos sbornianos, além de Fernanda Takai - voz da jovem Cicliquot - que vive um amor proibido com Plestkaya. Hique Gomez está muito feliz com o resultado. “Os personagens estão muito bem representados, tem toda uma fidelidade com a história que a gente já contava ao público”, ressalta.

André Abujamra é responsável pela trilha sonora, com regravações das músicas que figuram no espetáculo e releituras como Rosa, de Pixinguinha, e Epitáfio, dos Titãs. 

O espetáculo teatral, com 30 anos de sucesso e público total na faixa de 1 milhão de pessoas, já passou por palcos de todo o Brasil, além de Argentina, Colômbia, Espanha e Portugal. O filme estreia celebrando a jornada do Tangos & Tragédias e ainda sob o impacto da morte de Nico Nicolaiewsky, em fevereiro deste ano, que interpretava o Maestro Plestkaya. “Gosto de pensar que o Nico foi o primeiro sborniano a encontrar o caminho de volta para casa. A presença dele ainda é muito forte e vai permanecer pra sempre”, diz Hique.

A ideia de adaptar a peça para o cinema surgiu com Otto Guerra, que chamou os criadores para participar do processo. “No início, eles estavam um pouco céticos, mas depois que viram as animações ficaram entusiasmados”, diz. Para o diretor, foi muito importante Nico ter visto o filme pronto. “Fico feliz de ele ter gostado muito do resultado”, comenta. 

Na direção, Otto Guerra contou com o apoio do carioca Ennio Torresan Jr., animador da Dreamworks. Nos últimos dois anos de montagem, o filme incorporou a tecnologia 3D, o primeiro no Rio Grande do Sul nesse formato. A direção de arte ficou aos cuidados de Eloar Guazzelli, que deu ao filme um visual de Leste Europeu. Para Hique, o imaginário da Sbórnia está mais vivo do que nunca. “Quando as pessoas veem a Sbórnia no cinema, ninguém questiona. Todo mundo concorda”, conta. 

O filme já foi exibido em diversos festivais de animação pelo mundo, como o Waterloo Festival for Animated Cinema (WFAC), no Canadá, e o Holland Animation Film Festival (HAFF), na Holanda. “Houve surpresa com a qualidade da animação brasileira”, garante ainda Guerra. 

Por enquanto, Até Que A Sbórnia Nos Separe tem lançamento regional, sendo exibido em 25 salas do Rio Grande do Sul. De acordo com Guerra, a estreia pelo Brasil dependerá da recepção do público. “Se funcionar aqui, espero que chegue a São Paulo no máximo em um mês”, prevê. 

Para Márcia do Canto, mulher de Nico Nicolaiewsky, a estreia é um momento de celebrar o legado do artista. “As pessoas têm um carinho imenso pelo trabalho do Nico e do Hique. Elas ainda levam o Nico muito vivo na memória”, garante. 

Ela e a filha, Nina Nicolaiewsky, estão trabalhando para preservar a obra do artista junto com os amigos de longa data Fernando Pezão e Claudio Levitan. Para isso, formaram o grupo U.NICO, dedicado à memória dele. “Estamos buscando administrar e catalogar o trabalho do Nico. Tem bastante material e muitas coisas ainda inéditas”, conta Márcia.

Plágio. No início de setembro, a peça paulistana Let’s Duet - Homenagem a Malitchewsky recebeu acusações de plágio de uma legião de fãs de Tangos & Tragédias. Em Let’s Duet - que segue temporada no Tucarena até dia 26 de novembro -, uma dupla de músicos exóticos faz versões de canções pop, ponto em comum com o musical gaúcho.

Hique Gomez ainda não assistiu à peça, mas conta que conversou com os atores, que receberam uma notificação extrajudicial. “Não temos nenhuma intenção de processá-los, eles falaram conosco, estavam muito chateados”, recorda. Para o artista, isso é consequência de um trabalho que ganhou notoriedade. Márcia do Canto também não assistiu à peça, mas amigos relataram as semelhanças. “Não temos intenção de prejudicar ninguém, primeiro queremos esclarecimentos. Não dá pra sair atirando pedras”, acrescenta. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.