Anima Mundi: maior, melhor e sem cortes

O subtítulo que acompanhava o longa-metragem animado South Park, de Trey Parker, lançado no País no ano passado com a turminha boca-suja Cartman e companhia, serve para definir a nona edição do Anima Mundi: maior, melhor e sem cortes. O principal festival de animação do Brasil chega a São Paulo na quarta e segue até domingo primando pela qualidade das produções e trazendo 361 filmes, sendo 69 deles brasileiros. No ano passado, foram exibidos 269 filmes e São Paulo não recebeu todas as palestras e workshops que aconteceram no Rio de Janeiro. Desta vez, a coisa é diferente: palestras, cursos gratuitos e mais salas de exibição marcam a edição paulista. E tudo de graça. As exibições agora ocorrem no Museu da Imagem e do Som (MIS), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Espaço Unibanco de Cinema, Centro Cultural da Fiesp e Centro Brasileiro Britânico. Os organizadores esperam bater a média de público da última edição, 45 mil espectadores. Até a última sexta-feira, 20 mil pessoas já haviam visto os filmes no Rio. E ainda havia o sábado e o domingo de exibições. A expectativa é de que, só em São Paulo, a média seja de 25 mil pessoas. Este ano há participantes de 38 países, alguns pela primeira vez, como China, Índia, Arábia Saudita, Venezuela, Taiwan e Hong Kong. Mas o que chama atenção é o crescimento da produção nacional. Nas duas últimas edições, os brasileiros formaram a maior ´delegação´. É um fato importante quando se leva em consideração que no início do festival, há nove anos, a trupe brasileira era mínima. "É uma mudança drástica. Acho que somos um pouco responsáveis por essa produção", vangloria-se César Coelho, 41 anos, um dos organizadores do festival. A afirmação está longe de soar absurda. Segundo Coelho, há casos de jovens que foram levados pelas mães às oficinas do Anima Mundi e hoje participam com trabalhos próprios.Nesta edição do festival, as oficinas, chamadas de Estúdio Aberto, ocorrem na Galeria de Arte do Sesi, no Centro Cultural Fiesp. Lá, os interessados podem fazer sua própria animação utilizando tecnologias como 3D (massinhas), moviola e até areia. Outra contribuição virá do canal pago de TV Cartoon Network, que só exibe desenhos animados.Além de participar com produções inéditas como Sheep na Cidade Grande, representantes do canal no Brasil vão divulgar no festival a abertura de um concurso. "Será voltado para artistas brasileiros, que vão produzir séries para o canal", diz Coelho. Quanto às exibições, há para todos os gostos. Dos infantis até a Sessão Erótica, com filmes da Bulgária, Irlanda, Espanha e outros. Produção bicho-grilo - Há inúmeros destaques no festival. O Grilo Feliz é um deles. Produção brasileira de Walbercy Ribas, é uma história de teimosia e perseverança. Ribas, criador dos comerciais da baratinha Rodox e do homenzinho azul do Cotonete, começou a história de O Grilo Feliz em 1979. Em função de vários problemas de financiamento, a obra só voltou a ser tocada em 1997. Quem tem mais de 20 anos lembra-se da propaganda da Sharp com o grilinho cantante e seu violão feito de casca de amendoim. No enredo, o grilo, junto com alguns amiguinhos da floresta, busca uma misteriosa estrela. Além dos longas, há centenas de curtas-metragens, que vão da comédia pastelão ao drama. Os brasileiros Apetite, de Lúcio Mazzara, e Bigornas, de Tony Rangel e Marcos Pinto, estão no primeiro time. Apetite mostra que o preço da comida está pela hora da morte, coisa que a própria acaba descobrindo. Bigornas é uma vinheta de 43 segundos, uma velha piadinha muito bem revisitada. No quesito drama, imperdível é Father and Daughter, do holandês Michael Dudok de Wit, ganhador do Oscar de melhor curta de animação deste ano. Narra a espera ansiosa de uma filha por seu pai, que a abandona à beira de um lago. Os contrastes claro escuro do desenho por vezes lembram as criações do artista plástico Vik Muniz. Outro curta singelo é a homenagem a Nelson Cavaquinho (1911-1986), feita pela 3 D Mentes (Márcio Bukowski, Alex Paiva e André Leão), em Roda de Samba. A animação gráfica mostra um boteco, com seus sambistas clássicos levando a música Degraus da Vida. De repente, em cima da mesa se avista um sabre de luz, daqueles mesmo, da saga Guerra nas Estrelas. Depois aparece o dono, enchendo a cara e animado com a roda de samba, outro mestre: o Yoda. Locais de exibição: Museu da Imagem e do Som - MIS (Av. Europa, 158, tel,: 3062-9197)Centro Cultural Fiesp (Av. Paulista, 1.313, tel.: 284-3639)Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112, tel.: 3113-3652)Auditório do Centro Brasileiro Britânico (Rua Ferreira de Araújo, 741, tel.: 3038-6930)(Todas as exibições são gratuitas, mas senhas devem ser retiradas uma hora antes do início da sessão)Na InternetExibição do Anima Web. São 20 animações feitas especialmente para Internet no site www.animamundiweb.com.br. O público também pode votar nestes filmes mediante cadastro do e-mail.Sessão EróticaSessões dia 25, às 20h, no Espaço Unibanco. Dia 27, `1as 21h, no MIS. Dia 28, na Fiesp, às 22h.Papo AnimadoSérie de exibições com animadores que comentam sus obras entre os intervalos das sessões.Dia 25Raoul Servais, pintor e cineasta, às 18h, no CCBBTim Webb, professor da Royalk College of Art, às 18h30, no Centro Brasileiro BritânicoTakashi Namiki, presidente da produtora japonesa Anido, às 19h, no MISDia 26Jean François Laguionie, diretor de le Msque du Diable, às 19h, no MISDia 27Michaela Pavlátová, criadora do curta Words, Words, Words, indicado ao Oscar em 1991Dia 28Walbercy Ribas, fundador da Start Desenhos Animados e criador do longa brasileiro O Grilo FelizEstúdio AbertoMontado na Galeria de Arte do Sesi, no Centro Cultural Fiesp a partir das 14h30 de hoje. Oficinas gratuitas em que o público aprende a fazer suas próprias animações. Técnicas de 3D (massinha), 2D, zootrópio, pixilation, moviola e areia.Exposição Raoul Servais - itinerário de um Cine PintorMostra do artista plástico e animador belga com objetos e fotografias de seus 40 anos de carreira. De quarta até 2 de setembro, no subsolo do CCBB.Exposição AnimeMostra de animação japonesa. Abre amanhã e segue até 30 de julho. Na Galeria de Arte do Sesi, no Centro Cultural Fiesp.

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