Anima Mundi exibe quase 500 filmes

Por força do império deentretenimento criado pelo velho Walt, o público de todo o mundoidentifica a animação com a Disney. Falou em desenho e o queprimeiro vem à lembrança são os produtos dos Estúdios Disney.Nos últimos anos, é cada vez maior a contestação a essahegemonia disneyniana - no traço, no conteúdo. Há dez anos oAnima Mundi mapeia para o espectador brasileiro as tendênciasmais importantes da animação em todo o mundo. Massinha, traço,computador, aquarela - vale tudo no Anima Mundi. Começa nesta quarta-feira o Festival Internacional de Animação do Brasil de número10. A fase carioca do evento ocorreu de 12 a 21 de julho. OAnima Mundi desembarca agora em São Paulo em cinco salas: CentroCultural Fiesp, Cineclube Directv, Centro Cultural Banco doBrasil, Auditório do Centro Brasileiro Britânico e EspaçoUnibanco de Cinema. Vem cheio de atrações e convidados. São mais de 400 títulos, quase 500, entre curtas elongas, que poderão ser vistos até o domingo, dia 28. SamuraiJack, as divertidas criaturas de Chuck Jones (Patolino,Pernalonga e Papa-Léguas), o gênio japonês Hayao Miyazaki, queeste ano ganhou o Urso de Ouro em Berlim - na primeira vez emque a animação superou a live action num grande festival decinema -, há muito o que ver e fazer no 10.º Anima Mundi. Fazer,justamente. Jason Spencer-Galsworthy, do estúdio Aardman, queproduziu A Fuga das Galinhas - fera na animação de bonecosem stop motion -, chegou na segunda-feira a São Paulo e no dia seguinte mesmo iniciou no Centro Brasileiro Britânico uma oficina para aqual eram exigidos certos requisitos. Nas demais oficinas, o queconta é mesmo o entusiasmo dos participantes. O canadense AndréLeduc realiza o Animathon, uma maratona de animação durante aqual os participantes farão em tempo recorde, para exibição nanoite de encerramento, filmes inspirados nas trilhas criadaspelos músicos brasileiros Hélio Ziskind e Mu Carvalho, ex-A Cor doSom. E existem os "Papos Animados": encontros do público comanimadores brasileiros e internacionais. O convidado brasileirodeste ano é da produtora Vetor Zero, muito atuante no mercadopublicitário e que ganhou, com a série da tartaruguinha daBrahma, o prêmio da categoria no Festival de Annecy, na França.O convidado internacional é outro brasileiro, Carlos Saldanha,que vai falar sobre a animação do desenho A Era do Gelo, doqual foi um dos criadores. Vendo todas as atrações nacionais einternacionais do 10.º Anima Mundi, conversando com todos essesconvidados, você vai entender por que a animação é considerada aoitava arte, numa definição que a desliga do cinema, a sétima. BR - São seis anos de parceria com a Petrobras, que uniusua marca ao Anima Mundi e é patrocinadora exclusiva da maiormostra de animação que se realiza no País. O crescimento doAnima Mundi pode ser expresso em números: na primeira edição,foram convidados 144 trabalhos de seis países. Este ano, houve760 inscritos, dos quais 166 brasileiros, mais do que o total detítulos exibidos em 1993. A organização do Anima Mundi destacaque não foram só os números que cresceram. O festival ganhoumódulos e hoje é, verdadeiramente, um programa para toda afamília. Tem programação para crianças, para adultos, promoveworkshops para profissionais e traz convidados importantes detodo o mundo. Uma retrospectiva imperdível vai fazer a síntesedo melhor destes dez anos e outras retrospectivas vão homenagearChuck Jones e o melhor da animação Brasil-Canadá. E não se podeesquecer do Animation UK, o Dia da Animação Britânica. Todo esse sonho surgiu da cabeça de quatro visionários.Aída Queiroz, Marcos Magalhães - diretor de Meow, o curta deanimação que ganhou a Palma de Ouro da categoria em Cannes -,César Coelho e Léa Zaguri uniram-se há dez anos para tornarviável a realização do festival. Ele começou pequeno. Hoje é omaior evento do gênero na América Latina e o quinto em todo omundo - num processo de consolidação que passa pela parceria coma Petrobras. É um festival caro: tem muitos convidados, envolveo transporte de filmes de diversos países. Mas vale a pena: nãoé só o que o público pode ver. É, também, o que o Anima Mundideixa: encontros com profissionais, oficinas. O própriocrescimento da animação no Brasil não deixa de estar ligado aoAnima Mundi. Quando o festival começou, as animações brasileiras eramconvidadas para prestigiar a produção nacional. Hoje, osorganizadores podem empregar os mesmos rigorosos princípios deseleção que são aplicados para destacar as produçõesestrangeiras que participam da mostra competetiva. Pois o AnimaMundi inclui uma competição. O júri popular premia melhor filmeem curta-metragem, melhor animação infantil, melhor curta emvídeo, melhor filme brasileiro, melhor vídeo brasileiro. O júriprofissional premia melhor filme, melhor vídeo, melhor animaçãobrasileira e dá três prêmios adicionais: prêmio especial do júri, melhor portfólio e especial para primeira obra. Internet - Pelo terceiro ano consecutivo, o Anima Mundie a Ismnet apresentam o concurso de animações para internet. OAnima Mundi Web traz para São Paulo os vencedores da etapacarioca, que também serão exibidos na noite de encerramento. Achamada sessão online do festival traz animações feitas emflash para todo mundo assistir (no Rio, as pessoas podiam tambémparticipar). A votação foi feita pelo sitewww.animamundiweb.com.br, que o internauta ainda pode consultar,embora as informações gerais sobre salas, horários, obras econvidados que os navegadores da internet buscam estejam emoutro site: www.animamundi.com.br. Como a Disney continua sendo uma referência forte para aanimação de todo o mundo, nem que seja para ser contestada, nãofica de fora do Anima Mundi. Os cariocas puderam ver desenhosoriginais do clássico Branca de Neve e os Sete Anões. Ospaulistas não terão esta chance, mas poderão (re)ver a versãorestaurada daquela obra-prima do desenho, a mesma que foilançada em DVD. Branca de Neve e A Bela e a Fera, naedição comemorativa do seu 10.º aniversário - a mesma idade doAnima Mundi -, integram a seleção de longas, cuja pérola, oupérolas, são os japoneses. Yoshitaki Kawajiri mostra o seuVampire Hunter D - The Bloodlust e Hayao Miyazaki, tãopoderoso que criou no Japão seu parque temático, como os daDisney, investiga os mitos religiosos do zen-budismo emSpirited Away, que também pode ser definido como a releiturajaponesa do cult Alice no País das Maravilhas.

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