Anima Mundi cresce e estende raio de ação

O festival Anima Mundi cresceu e apareceu em nove anos de existência. Não só em quantidade de público e títulos exibidos, mas especialmente em qualidade e repercussão. Este ano são 361 trabalhos (230 em vídeo e 131 em película) vindos de 38 países, alguns deles estreantes nas telas e telinhas brasileiras, como China, Taiwan, Hong Kong e os latino-americanos Venezuela, Uruguai e Chile. Se a platéia aumentar em 20% como nos anos anteriores, deve beirar 55 mil pessoas, no Rio, onde o festival começa nesta quarta, e em São Paulo, na sexta-feira."Hoje somos referência para produtores e exibidores. O Anima Mundi é o quinto festival de animação do mundo, em quantidade de público e de participantes", comemora Aída Queiroz, organizadora da mostra ao lado de Léa Zagury, Marcos Magalhães e César Coelho. "A demanda e a produção também cresceram no Brasil. Há nove anos, quase não havia animação nacional. Hoje, aparece em publicidade, abertura de novelas e programas e desenhos brasileiros autorais."A popularização do computador e dos programas apropriados para animação (não só a computação gráfica) também influiu nesse crescimento. "O Brasil estava fora de um boom que aconteceu no mundo inteiro. O Anima Mundi chamou a atenção de um público que estava ávido", comenta Aída. "Na primeira edição, aceitamos todos os trabalhos brasileiros inscritos para ter uma programação razoável. Este ano, pudemos ser rigorosos na seleção."Aída acredita que esse rigor no Anima Mundi só foi possível porque a qualidade da animação nacional melhorou. "Mas os profissionais são autodidatas, aprendem errando, pois não há escolas para formá-los", lamenta ela. "Quanto ao público, tem aumentado acima da previsão. Cada espaço novo lota imediatamente."Mesmo assim, o Anima Mundi vai crescer mais ainda. Este ano, a Petrobras financia metade dos R$ 1,6 milhão do orçamento aprovado pela Lei Rouanet e garante a expansão do festival para outras capitais brasileiras. "Assim que a mostra terminar em São Paulo, vamos levá-la pelo Brasil afora", promete Aída. "Tenho certeza de haver platéias em todo o País."Palestra - Ainda estamos como os EUA, os maiores produtores e consumidores de animação do mundo, mas os profissionais de lá também aprendem por conta própria, apesar de haver essa cadeira em alguns cursos superiores de cinema e de arte. A animadora brasileira Lúcia Modesto, que faz palestra no Rio no domingo e depois vai a São Paulo, tem experiência nos dois países. Ela está nos créditos de FormiguinhaZ, de três anos atrás, e do recém-lançado Shrek, ambos da DreamWorks, e vive nos Estados Unidos desde 1996."Antes, trabalhei na Rede Globo, fazendo vinhetas da Copa do Mundo, de Olimpíadas e publicidade. Nessa condição, fiz cursos na PDI e acabei ficando lá, trabalhando nos dois primeiros filmes deles para a DreamWorks", conta ela. "Fui co-editora de personagens, um trabalho intermediário para ver se cada boneco está se movimentando a contento. Vou mostrar como são os desenhos e como eles são trabalhados."Lúcia também é autodidata, mas lembra que, como trabalha com animação há 20 anos, aprendeu nos programas à medida que eles eram lançados. Ela acredita que o mesmo ocorre com os outros 275 animadores da PDI, uma equipe com muitos estrangeiros como ela, e com formação técnica variada. "Eu sou engenheira eletrônica e comecei a fazer desenhos animados de brincadeira. Mas há artistas plásticos, especialistas em computação gráfica, cineastas e todo tipo de profissionais no grupo", conta ela.O trabalho é dividido em cerca de 15 equipes, que vão dos roteiristas, aos desenhistas, editores de personagens, animadores e finalizadores de luz e efeitos especiais. "Há possibilidade de mudar de área e as etapas simultâneas. Alguns profissionais até conseguem reconhecer seu trabalho no produto final. No meu caso, não, porque me envolvo com todos os personagens em todas as cenas", explica Lúcia. Ela está em férias até o fim do mês, mas em agosto já começa a trabalhar no novo projeto da PDI, hoje um departamento da DreamWorks. "Estamos entre duas histórias, uma sobre um grupo de elefantes e outra passada em Madagascar, mas há também possibilidade de partirmos para Shrek 2."

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