'Angel', uma incursão pelo melodrama, por François Ozon

Produção do diretor francês é baseada em um livro dos anos 50 da escritora inglesa Elizabeth Taylor

Rafael Barion, de O Estado de S. Paulo,

08 de março de 2007 | 15h44

Angel Deverell é uma crente. A protagonista do primeiro filme do francês François Ozon falado em inglês é uma garota pobre que enriquece, no início do século XX, escrevendo livros rebuscados e fantasiosos. Arrivista, ela constrói a vida à maneira de seus romances - como um conto de fadas em que é a personagem principal. Compra o seu castelo, recruta um marido e ignora a morte da mãe e a guerra que bate à porta. Há um momento em que a vida vai atropelá-la, é claro, mas o que acontece com a crença da garota na fantasia que ela construiu você descobre assistindo a Angel.  Assista aos trailers das estréias da semana:Trailer de 'Angel'  Trailer de 'A Morte de George W. Bush'  Trailer de 'Sicko - $o$ Saúde'  Trailer de 'O Orfanato'  Trailer de '10.000 A.C.'   Já o diretor de O Tempo que Resta não acredita tanto assim nas imagens que inventa. Para adaptar o livro dos anos 50 da escritora Elizabeth Taylor - que não é a atriz - ele emprestou as cores e as interpretações intensas dos melodramas da mesma época. Acrescentou, porém, um olhar irônico que coloca tudo em perspectiva. Mesmo as cenas mais dramáticas de Angel são subvertidas, sem nenhuma cerimônia, por elementos histriônicos. É de uma maneira exagerada (e bem-humorada) que a mãe se despede da filha ao morrer, por exemplo. Mas Ozon não quer ridicularizar a sua protagonista - ele leva o seu dramalhão muito a sério. Como a garota vivida por Romola Garai, o diretor também acha que a vida se faz mesmo é de imagens. O que os difere é que sabe que elas são construções. Há algo de muito histérico (e talvez de estéril) no culto à ilusão desta dupla, é verdade. Mas é a ela que o diretor dedicou filmes interessantes como Amor em Cinco Tempo e 8 Mulheres. Ainda que possa parecer ridícula, a arte vulgar de Angel (assim como o melodrama) é, para Ozon, expressão de algo muito verdadeiro.

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