Ang Lee narra amor homossexual entre dois cowboys

O novo filme do cineasta Ang Lee, Brokeback Mountain, que narra a paixão de dois cowboys homossexuais não causou o escândalo em Veneza anunciado pela campanha de divulgação do longa porque o tema é tratado com delicadeza, sensibilidade e melancolia.O filme foi recebido com aplausos pela crítica especializada do Festival, que valorizou especialmente o trabalho de um dos protagonistas, - o ator australiano Heath Ledger -, e o roteiro que a todo momento destrói os estereótipos gays.O outro filme em competição exibido hoje foi o filme "surpresa", Takeshi´s, de Takeshi Kitano, que completa a lista dos 20 filmes na disputa pelo Leão de Ouro, prêmio máximo do festival.Ang Lee não cai em nenhum momento no recurso fácil de mostrar os protagonistas Heath Ledger e Jake Gyllenhall afeminados.A história começa no Wyoming, onde dois trabalhadores rurais são contratados para cuidar de um enorme rebanho de ovelhas ao pé da majestosa montanha Brokeback. A solidão, o crescente frio e uma intimidade que nasce lentamente, empurram os homens um para o outro, em um turbilhão de paixão do qual não podem fugir.Quando termina o trabalho, cada um deles retoma sua vida, se casam e têm filhos. Mas não conseguem esquecer um ao outro e freqüentemente se encontram.A impossibilidade de tornar pública sua relação e a vida dupla que levarão pelo resto de suas vidas dá à história um tom de tristeza e frustração.Ang Lee, que nasceu em Taiwan e mudou-se para os EUA, disse depois da exibição do longa que "todos temos dentro do coração uma montanha Brokeback. É esse lugar secreto para o qual sempre se quer voltar ou o lugar que sempre se busca e nunca se encontra. É a última ilusão, mas também a última razão para viver: o sonho de uma total e honesta conexão com outra pessoa".

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