Divulgação
Divulgação

Andrucha Waddington apresenta 'Lope' no Rio

Último dia de festival terá gala com a vida do escritor espanhol Lope da Vega

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2010 | 13h38

Bruno Dumont chegou na segunda-feira à tarde e já iniciou uma extensa programação como homenageado do Festival do Rio deste ano, com Amos Gitai e Jerzy Skolimowski. O festival fez nesta terça-feira (5), a gala de entrega do troféu Redentor aos vencedores das Premières Brasil e Latina. Hoje, será o encerramento oficial, com a gala de Lope. Andrucha Waddington e seu elenco internacional (Alberto Amman, Pilar López de Ayala) vêm mostrar sua versão da vida do dramaturgo espanhol Lope da Vega. Em Madri, no século 16, ele volta empobrecido da guerra e se integra a uma trupe de teatro. Apaixonado pela filha do diretor, inicia um romance até descobrir que ela é casada. Exige que ela se separe do marido e se envolve num imbróglio que expõe a hipocrisia das convenções sociais da época. Outro romance vai liberar Lope e transformá-lo no grande autor de La Dorotea (1632), entre outros.

 

Todo ano, o Festival do Rio sedia uma gala do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, quando o CPCB apresenta a versão restaurada de um filme que já se poderia considerar perdido. O escolhido da vez foi Rico Ri à Toa, o primeiro longa de Roberto Farias, de 1957. O próprio diretor subiu ao palco do Cine Odeon BR para lembrar as peripécias que marcaram o início de sua carreira, há mais de 50 anos. Com experiência como assistente de direção, Roberto, disposto a dar o grande salto, convenceu o próprio pai a hipotecar a casa. Desta forma, conseguiu os 200 mil cruzeiros que levou aos produtores, conseguindo que integralizassem a verba necessária. Naquele tempo, lembrou o diretor, não havia leis de patrocínio. Felizmente, Rico Ri à Toa foi um grande sucesso e a família toda, o pai e os filhos - Roberto, Reginaldo e Riva - foram em comitiva saldar a dívida com o banco.

 

"Se Rico Ri à Toa tivesse fracassado na bilheteria, eu talvez não estivesse aqui", disse Roberto Farias. E ele acrescentou - "É o filme mais importante da minha vida." Não representa pouco, se lembrarmos que ele fez Cidade Ameaçada, Assalto ao Trem Pagador, Selva Trágica e Pra Frente, Brasil. A sessão foi emocionante. O CPCB não conseguiu localizar os familiares de Violeta Ferraz, mas os de Zé Trindade e Sílvia Chiozzo, que faz a mocinha, lá estavam. Levantaram-se pára receber o aplauso do público para artistas que fazem parte da história do cinema brasileiro.

 

Neste filme, que conta com a participação de Dolores Duran num número musical, o ator Zé Trindade ficou famoso com seu bordão 'Mulheres, cheguei!' Ele faz o taxista oprimido pela mulher de maus bofes (a irascível Violeta). A trama trata de motorista de táxi que recebe heranças - na verdade, é tudo golpe de uma quadrilha que assaltou um banco. O dinheiro sobe à cabeça da mulher. Zé Trindade passa o filme suspirando que quer ser pobre de novo. Pobre é que é feliz. A ingenuidade das chanchadas, afinal, não era tão ingênua assim. Existem observações realmente divertidas. O público riu muito. Rico Ri à Toa está salvo, resta saber se no mercado de cinema e DVD haverá espaço para que o público o (re)descubra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.