Andrucha pode dirigir filme sobre Frida Kahlo

Depois de ser estudado por Pedro Almodóvar e Walter Salles, entre outros renomados cineastas internacionais, o projeto de uma cinebiografia da pintora mexicana Frida Kahlo, desenvolvido há anos pela atriz Salma Hayek, pode estar finalmente saindo da prancheta. O cineasta carioca Andrucha Waddington vem sendo sondado pelo estúdio Miramax, que está bancando a produção para a atriz de A Balada de um Pistoleiro e Dogma. Andrucha teve alguns encontros com os executivos da Miramax, em Los Angeles e Nova York. Apesar dessas reuniões, nenhum acordo foi fechado. "Estou bastante honrado por ter sido cogitado para o projeto, cheguei a receber o roteiro no último Festival de Cannes, mas ainda estamos em conversação", explica Andrucha por telefone de Edimburgo, na Escócia. "Minhas prioridades atuais mesmo são o lançamento de Eu Tu Eles e dois projetos brasileiros que tenho em desenvolvimento no Rio", explica o diretor que está mostrando seu novo filme no Festival de Edimburgo, onde foi bastante aplaudido numa sessão de imprensa na manhã de sexta-feira. Eu Tu Eles abriria as sessões de gala do festival na noite de sábado. Além do projeto da Miramax, um outro filme sobre a artista surrealista mexicana famosa por seus auto-retratos começou a ganhar contornos em Hollywood. Em sua edição de terça-feira, o jornal americano Variety revelou que Jennifer Lopez - um desafeto de Salma Hayek - também deve protagonizar produção similar. Com Francis Ford Coppola como produtor-executivo e o cineasta Luis Valdez (de La Bamba) na direção, Jennifer deverá assumir o papel de Frida Kahlo no ano que vem num longa do estúdio MGM. Roteiro final - O projeto da Miramax é baseado no livro Frida: A Biography of Frida, de Hayden Herrera, lançado em 1991. O roteiro final seria de autoria de Rodrigo García, filho do escritor colombiano Gabriel García Márquez e diretor do longa Things You Can Tell just by Looking at Her, estrelado por Glenn Close, Holly Hunter e Cameron Diaz. Se o projeto da Miramax sair na frente, García poderá sentir-se vingado. A MGM, que produz o projeto de Frida, também é o responsável pela distribuição de Things You Can Tell.... Mas, mesmo com atrizes do calibre de Glenn, Holly e Cameron, os executivos da companhia decidiram cancelar o lançamento do filme este mês nos cinemas americanos e está jogando a produção diretamente em vídeo. García assume um roteiro problemático. No ano passado, Walter Salles, a pedido da Miramax, insatisfeita com os tratamentos que o texto tinha tido até, debruçou-se por um tempo no roteiro na função de script doctor. Na época, Salma Hayek contava com o diretor mexicano Roberto Sneider, do thriller Dois Crimes, para levar a produção adiante. Já o projeto de Jennifer é baseado no livro The Two Fridas, cujos direitos pertenciam ao estúdio New Line Cinema, parte do grupo Time-Warner. Em 1991, depois de protestos contra a escolha da atriz Laura San Giacomo (a irmã de Andie McDowell em Sexo, Mentiras e Videotape, e melhor amiga de Julia Roberts em Uma Linda Mulher) para o papel de Frida, e o desinteresse de Madonna pelo filme (a pop star acabou mesmo interessada em interpretar uma artista amiga da mexicana, a fotógrafa italiana Tina Modotti), o projeto foi arquivado. A vida de Frida Kahlo foi tema apenas de um filme até hoje: a cultuada produção do mexicano Paul Léduc, Frida - Natureza Viva, de 1984, estrelada por Ofélia Medina. No ano passado, o ator e cineasta Tim Robbins dirigiu o drama The Cradle Will Rock, que conta a história da dificuldade de Orson Welles em montar o musical-título no circuito off-Broadway na década de 30 por este ser considerado um espetáculo marxista. Em caracterização patética, a atriz Corina Katt faz uma ponta como Frida, que acompanha o marido Diego Rivera (interpretado pelo ator, cantor e político panamenho Rubén Blades) na montagem - e depois desmontagem - de um mural encomendado pelo milionário Nelson Rockfeller (John Cusack) para o lobby de seu famoso prédio de Nova York, o Rockfeller Center. Colisões - Caso os projetos de Salma e Jennifer realmente colidam, essa duplicidade de idéias não será novidade em Hollywood. Nos últimos anos, vários estúdios tiveram de lidar com projetos semelhantes. E eles foram desde a ocupação chinesa no Tibete (Kundun e Sete Anos no Tibet), passando por blockbusters sobre asteróides em rota de colisão com a Terra (Armaggedon e Impacto Profundo), desenhos sobre insetos (Formiguinhaz e Vida de Inseto), até a história de um cidadão comum preso dentro de um show de TV (Truman Show - O Show da Vida, Ed TV e A Vida em Preto-e-Branco). Este ano, a Disney e a Warner decidiram fazer projetos siameses sobre a exploração do planeta vermelho: Missão em Marte, uma bomba dirigida por Brian De Palma, e Red Planet, com Val Kilmer, que estréia em novembro.

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