Ancine lança programa de fomento à indústria

Criada com dois objetivos - fomento à indústria cinematográfica brasileira e regulamentação do mercado -, a Agência Nacional do Cinema dá um passo importante no rumo da concretização de suas atribuições. Na segunda-feira, a direção colegiada da Ancine lançou a instrução normativa n.º 15, que cria justamente o programa de fomento à indústria de cinema no País. O cineasta Augusto Sevá pertence ao colegiado de quatro membros que dirige a Ancine. Promete para os próximos dias a divulgação dos três editais que vão reger o método de atuação da instrução normativa.Sevá sabe que quem está na linha de frente da captação no cinema brasileiro tem motivos de sobra para considerar o momento atual preocupante, para se dizer o mínimo. As diretorias de marketing das empresas não querem nem falar com a maioria dos diretores e produtores que buscam recursos por meio da Lei do Audiovisual. No primeiro semestre, ele estima que os mecanismos de captação - as leis do Audiovisual e Rouanet - conseguiram manter-se no patamar histórico de R$ 19 milhões, mas há uma retranca muito forte estimada para o segundo semestre. Está cada vez mais difícil captar. Isto lança nuvens negras sobre a participação brasileira no mercado de exibição no ano que vem. Há produtores que acham que o Brasil simplesmente não terá filmes próprios para lançar no segundo semestre de 2004.E o curioso é que, no momento atual, Sevá comemora justamente o incremento da participação do produto brasileiro no mercado de exibição no País. Nos últimos anos, essa participação tem se mantido em torno dos 8% ou 9%. É a fatia que o cinema brasileiro recolhe dos cerca de 90 milhões de ingressos vendidos anualmente no País. Este ano, graças aos filmes que Sevá define como eventos - Deus é Brasileiro, Xuxa, Trapalhão e, claro, Carandiru -, os filmes brasileiros venderam, só no primeiro semestre, mais ingressos do que no ano passado inteiro, quando já houve outro fenômeno, Cidade de Deus. Com os filmes prometidos para o segundo semestre, a expectativa é que se chegue ao fim do ano com a ocupação de 13% do mercado, o que será o pico desde a retomada.Estabelecida em três pontos, cada um deles regido por edital próprio, a instrução normativa estabelece a concessão de apoio financeiro a projetos de produção, finalização de produção e propostas de desenvolvimento de projetos. Com um orçamento inicialmente estimado em R$ 40 milhões, a Ancine foi vendo seus recursos minguarem para R$ 20 milhões e, agora, R$ 10 milhões para atender aos três editais. Outros R$ 10 milhões do orçamento visam atender ao outro objetivo para o qual a agência foi criada, a regularização do mercado de TV, vídeo e cinema no Brasil. E Sevá ainda fala em outra expectativa. A Ancine, como autarquia especial, criada por medida provisória, continua ligada à Casa Civil da Presidência da República. "Precisamos saber a qual ministério estaremos ligados." Isto também vai influir nos rumos da agência.

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