WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Análise: Sob risco 30 anos de construção do setor audiovisual

Por certo, o melhor caminho não é o da desidratação dos órgãos responsáveis por fomento da Ancine e menos ainda sua tutela ou extinção.

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2019 | 22h56

O audiovisual brasileiro vive um filme de terror. A boataria internética dava como certa a extinção da Ancine, órgão regulador do setor. No fim, decidiu-se pela transferência da Ancine do Rio para Brasília. Bolsonaro pretende ter os órgãos financiadores do cinema próximos de si – para melhor controlá-los. Sinaliza que haverá “filtros” sobre o conteúdo das obras. A disputa por verbas públicas deve se dar através de quesitos técnicos. Colocar o conteúdo em questão – tal assunto deve ser tratado, aquele não – é próprio de governos autoritários, de direita ou de esquerda. 

O atual sistema é fruto de construção de quase 30 anos. Destruído por Collor, o mecanismo de financiamento do cinema foi refeito em 1993 com a Lei do Audiovisual e reforçado em 2001 pela criação da Ancine. A Agência Nacional de Cinema tem como atribuições o fomento, a regulação e a fiscalização do cinema e do audiovisual no Brasil. 

Esses instrumentos, por certo imperfeitos e cheios de contradições, têm o objetivo de desenvolver o audiovisual nacional e torná-lo sustentável. Muito se conseguiu, foi capaz de produzir cerca de 150 longas-metragens por ano, mas muito havia ainda por fazer. Por certo, o melhor caminho não é o da desidratação dos órgãos responsáveis por seu fomento e menos ainda sua tutela ou extinção. Não adianta subordinar órgãos de apoio ao audiovisual a modulações de conteúdo moral. É muito difícil fazer a roda voltar para trás. Mas, reconheçamos, o governo está se esforçando para isso. A propósito: lançado em 2011, Bruna Surfistinha levou 2,2 milhões de brasileiros aos cinemas. 

 

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