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Análise: 'Sete Homens e Um Destino' promove o prazer puro de reverenciar os justos

Longa tem uma dinâmica do grupo e da marginalidade

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2016 | 04h00

Todo filme de Antoine Fuqua tem seu momento ‘Eisenstein’. Ele explicou que não sabia como dirigir a cena de batalha do épico Rei Arthur. Salvou-o Roman Polanski, que lhe disse para conferir a batalha do gelo de Sergei M. Eisenstein em Alexandre Nevsky. Fuqua descobriu a teoria de montagem do grande cineasta russo. Mesmo que intuitivamente, a vem aplicando desde a época. Rei Arthur, Dia de Treinamento, O Protetor, Sete Homens e Um Destino, todos têm esse momento de pura montagem.

Denzel Washington e o mestiço índio entram na cidade. São interceptados pelos capangas de Bartholomew Bogue (vivido por Peter Sarsgaard), que domina o lugar a ferro e fogo, intimidando seus habitantes. Os caras, em superioridade numérica, ameaçam a dupla. Surgem os cinco que vão completar os sete do título. O cenário está armado para o confronto. E começa a fuzilaria, que termina com um recado para o chefão, Bogue. Seu reinado vai acabar. O cinema já contou algumas vezes essa história. Colonos, camponeses à mercê de pistoleiros. Os sete que atendem ao chamado. Por quê?

Há uma dinâmica do grupo e da marginalidade em Sete Homens e Um Destino. Como em Esquadrão Suicida, de David Ayer, no mundo corrupto e violento, em que a lei está a serviço dos poderosos, o bandido vira mocinho. Sete homens em busca de segunda chance, cada um lutando por seus motivos. Denzel, num acerto de contas muito particular, o jogador Chris Pratt, o mestiço índio (Martin Sensmeier), que tem a grande frase. Ao enfrentar o outro índio, aliado do vilão, ele diz apenas: “Você é uma desgraça”. A retomada do western, não o western puro, de John Ford e Anthony Mann. O impuro. Mas os códigos do gênero, a paisagem, a música – está tudo lá. O prazer de contar a história. De reverenciar os justos. As longas panorâmicas, acompanhando as cavalgadas. A tensão que precede os tiroteios. A amizade masculina – Ethan Hawke e seu parceiro oriental. A provocação – Pratt e o mexicano, que evocam Montgomery Clift e John Ireland de Rio Vermelho, de Howard Hawks. Você não precisa amar o western para curtir o novo Sete Homens e Um Destino. Mas, se amar, seu prazer será ainda maior.

 

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