Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Análise: Roberto Carlos é melhor nas trilhas que como ator

O Rei nunca foi ator; ele nunca ousou como Elvis Presley e David Bowie

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

15 Março 2017 | 05h00

Há controvérsia, claro, mas quem gravou o melhor disco de Roberto Carlos foi... Nara Leão. E Que Tudo o Mais Vá Pro Inferno, de 1978, com a música que o Rei interditou durante anos (e cantou em seu último especial da Globo). Roberto carrega sempre na orquestra. Edulcora a própria criação para atingir o gosto médio do público. Nara é minimalista, exigente com a poesia e as palavras.

Rei da Jovem Guarda, Roberto, em 1968, foi tema de uma reportagem da revista O Cruzeiro, decretando sua morte artística. Mas ele sobreviveu, se reinventou. O roqueiro virou baladista romântico. O cinema ajudou a ressurreição com os filmes que Roberto Farias fez com ele. Foram três, entre 1967 e 71 - Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, O Diamante Cor de Rosa e A 300 Km por Hora.

Roberto nunca foi ator. Não ousou como Elvis Presley, que fez até western, Estrela de Fogo, com o grande Don Siegel. Não desafinou, para servir ao personagem, como David Bowie em Furyo - Em Nome da Honra, de Nagisa Oshima. Mas os filmes foram produzidos no capricho. No começo dos 1980, o diretor fez sua denúncia da ditadura militar, Pra Frente Brasil. Ao expor o Brasil da tortura, Farias provocou polêmica. Poderia ter lembrado que, na época, estava fazendo filmes alienados. Alienantes?

O Rei sempre controlou muito sua imagem. Com toda certeza, vai continuar controlando no longa de Breno Silveira. Não espere revelações bombásticas, ou então será uma novidade. Depois de mandar tudo para o inferno - de novo -, Roberto talvez se revele mais relaxado com o próprio mito. Breno Silveira não é exatamente um diretor subserviente. Tem feito belos filmes no gênero biografia musical - 2 Filhos de Francisco, Gonzaga - De Pai pra Filho.

Suas canções têm embalado a trilha de filmes memoráveis. O Caminho das Nuvens, de Vicente Amorim; À Beira do Caminho, de... Breno Silveira. Roberto é um patrimônio nacional. Tem todas aquelas manias. Veste-se de azul, não tolera marrom. Há curiosidade pelo que vai contar - e cantar - no novo filme. Roberto, a capela, estará voltando a seus tempos de João Gilberto. A Nara, que canta, melhor que ninguém, ‘Relembro a casa com varanda...’.

 

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