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Análise: ‘Os Caras de Pau’ quer repetir sucesso da TV com dupla atrapalhada

Leandro Hassum e Marcius Melhem estrelam comédia que chegou ao País na quinta-feira, 25

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

25 Dezembro 2014 | 19h25

 

Numa entrevista de Miami - leia mais ao abaixo -, Leandro Hassum brincou com sua superexposição no ano que se encerra. Até Que a Sorte nos Separe 2 foi lançado no finalzinho do ano passado, vieram a novela (Geração Brasil), O Candidato Honesto e agora Os Caras de Pau. Nos filmes anteriores, ele era o astro. Nesse, divide a cena com Marcius Melhem. “Ah, é bom né? Se o filme for bem, eu colho os louros. Se não for, dá para dividir o fracasso.” Mas ele ri e fala sério. “O Marcius já fazia a redação final do programa de TV e ele foi sempre generoso. Nunca reclamou de me servir de escada porque o Jorginho (personagem de Leandro) é o mais descolado.”

Foi mais de um ano fora da TV. A série da Globo terminou em agosto de 2012, com aquele episódio da reunião de condomínio do Edifício Golias. “A gente sempre falava no filme, mas não ia ser só por fazer. Queríamos uma boa história, e ela surgiu.” Os Caras de Pau - O Misterioso Roubo do Anel estreou ontem em 700 salas de todo o País. É um lançamento grande, mas não mega. O mercado está dividido para acomodar outros filmes de apelo popular. Tem o épico (religioso?) Êxodo - Deuses e Reis, de Ridley Scott, o infantil (da Marvel/Disney/Pixar) Operação Big Hero, de Don Hall, e O Misterioso Roubo do Anel. “A distribuidora Imagem está fazendo um trabalho muito bonito, muito carinhoso com a gente. E o filme tem apelo para toda a família. Ponho fé de que vai funcionar”, afirma o ator.

Na história, socialite contrata Pedrão e Jorginho como seguranças do anel Tatu Tatuado de Topázio, uma relíquia de família que será apresentada num museu. Mas o anel é roubado, e os caras de pau tornam-se suspeitos. Para provar que são inocentes, enfrentam uma gangue de ninjas e até mafiosos portugueses. “O Marcius fez um roteiro muito bacana que o Felipe (Joffily) dirigiu com muita competência. Foi um filme feito num clima de muita paz, todo mundo se divertindo. Espero que o público se divirta também.”

Embora seja recordista de público do cinema brasileiro, Leandro Hassum sabe que não é uma unanimidade. Quem gosta dele gosta muito. Quem não gosta diz quem é careteiro, sem graça. Careteiro, sim - como Jerry Lewis, Jim Carrey, dois de seus ídolos. Sem graça, nunca. Basta ver algum de seus filmes com uma grande plateia. As pessoas morrem de rir. Os Caras de Pau surgiu, na televisão, na trilha abertas pelos Trapalhões. “Renato Aragão foi sempre uma referência para mim. Ria muito com os Trapalhões. Com os Caras de Pau, quisemos retomar aquela pegada. A coisa bem física, infantil. No filme, as crianças vão curtir a coisa ninja, as lutas. Os pais talvez se lembrem do diamante da Pantera Cor de Rosa, com o Inspetor Clouseau. E os avós vão ter a nostalgia de Abbott & Costello, do Gordo e o Magro.” 

Isso não significa que O Misterioso Roubo do Anel seja uma súmula dessas comédias, ou desses comediantes. Significa que Hassum, Melhem e Joffily têm um pé na tradição - e outro na modernidade, porque fazem seu filme de olho na plateia ligada no mundinho tech.

Assista ao trailer:

 

 

ENTREVISTA

Leandro Hassum: ‘Gosto de meus diretores, mas quero dirigir’

Você está encerrando um ano de muita exposição. Foi planejado?

Planejado, não, mas as propostas iam surgindo, eram coisas legais e não conseguia resistir. Até Que a Sorte 2 foi consequência do sucesso do 1, a novela foi um desafio, O Candidato Honesto pegava carona na eleição e Os Caras de Pau é o lado Trapalhão. Vamo que vamo.

Dá para identificar suas referências em todos esses filmes. Jerry Lewis (presente em Até Que a Sorte 2), Jim Carrey de O Mentiroso (em O Candidato) e os Trapalhões. Como é isso?

Os filmes têm essas pegadas, mas são artistas que admiro, que respeito. Se você citasse gente que não gosto, ia chiar. Mas os artistas que amamos são os que nos inspiram. Os Caras de Pau é impregnado pelos Trapalhões.

O que você faz em Miami?

Curto minhas férias, mas fico aqui só até o começo do ano. Daí vou para Los Angeles. Quero fazer um curso de direção.

Vem um novo Leandro por aí?

Gosto dos meus diretores, mas estou louco para dirigir. Me aguarde. Talvez na próxima vez que a gente se falar seja por alguma direção minha.

 

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