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Análise: 'Os Bons Companheiros', o último grande Scorsese, completa 25 anos

Basta o genial começo do filme para conferir quanto se perdeu com o deboche de sua produção recente

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2015 | 19h00

Muita gente poderá contestar a afirmação, mas o último grande filme de Martin Scorsese está completando 25 anos e também ganha edição de colecionador, com extras e polimento da imagem para ficar ainda mais brilhante. Quando Os Bons Companheiros surgiu, em 1990, Scorsese estava no auge, com uma sucessão de obras que havia estabelecido sua reputação como um dos grandes da sua geração.

Caminhos e Perigosos e Taxi Driver/Motorista de Táxi, com a cena de Travis/Robert De Niro diante do espelho (‘Are you talking to me?’/Está falando comigo?), mais Touro Indomável e Depois de Horas ilustram como Scorsese foi bom. Na culminação desses filmes ‘clássicos’, a abertura de Goodfellas – título original – ganhou contornos de manifesto estético. A câmera operada por Michael Baulhaus segue Ray Liotta num plano-sequência tão longo quanto virtuosístico.

Desde O Poderoso Chefão, de Coppola, em 1972, Hollywood redescobrira a força do cinema de gângsteres – e da Máfia. Foram anos e anos de mafiosos invadindo a tela em acirradas disputas pelo poder. E aí Scorsese, com base no livro Wiseguy, de Nicholas Pileggi – adaptado pelo escritor e por ele –, contou a história de Henry Hill, o personagem de Liotta. Criado, como o diretor, na comunidade ítalo-americana do Brooklyn, Hill, desde garoto, admira o glamour dos gângsteres e sonha virar um deles. Consegue, e o plano-sequência do começo representa justamente esse momento em que o sonho vira realidade.

Só que o prosseguimento da história mostra a derrocada desse sonho e Hill vai se transformar num pária, integrado ao programa de proteção a testemunhas dos EUA, por meio de uma delação premiada. Liotta é charmoso, viril, carismático em seu melhor papel. Lorraine Bracco e Joe Pesci ganharam os Oscars de coadjuvante e a violência (intensa) nunca é exagerada, mas necessária. Scorsese ainda fez uma variação interessante de Os Bons CompanheirosCassino. Pena que sua parceria com Leonardo DiCaprio tenha substituído a lucidez pelo excesso, até chegar ao deboche autocondescendente de O Lobo de Wall Street.

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