Sony Pictures
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Análise: 'O Protetor 2' tem o tempo certo, da montagem e das relações humanas

'O Protetor 2', com Denzel Washington, tem direção de Antoine Fuqua

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2018 | 06h00

Foi em 2014. O repórter, a convite da Sony, visitava os lendários estúdios da Columbia, em Hollywood. Um passeio curioso porque havia ruas montadas para filmes de época, mas os estúdios, propriamente ditos, estavam interditados porque abrigavam gravações - de séries de TV. Um parada numa unidade especial, a de Antoine Fuqua. Um enclave negro. Do diretor, gentilíssimo, aos assistentes, ao montador, todos negros. E Fuqua mostrou cenas do primeiro O Protetor, que ainda não havia saído.

Retomou com o repórter uma conversa que já havia tido, sobre montagem, na junket de Rei Arthur, com Clive Owen. Fuqua não sabia como filmar a cena da batalha no gelo. Num encontro providencial com Roman Polanski, o colega cineasta lhe sugeriu que visse uma cena idêntica de Alexandre Nevski, de Sergei M. Eisenstein. Fuqua admite que teve um choque e que aquilo revolucionou suas ideias de montagem, de cinema.

Sempre haverá controvérsia, claro, mas, como cineasta, Fuqua talvez seja o maior montador de Hollywood. A Academia não o reconhece como tal e, quando premia seus filmes, é pelo elenco - Dia de Treinamento. Você conhece o ‘protetor’, Robert McCall, ex-policial, hoje motorista de aluguel. Baseado numa série dos anos 1980, The Equalizer, McCall seria, ou é, um justiceiro. Mas é uma raridade. Pauta-se pela ética, e é capaz de conversas esclarecedoras sobre humanidade, justiça.

McCall toma sob sua proteção um garoto talentoso, mas que está no limite de ser absorvido pelo tráfico. A cena em que ele resgata o garoto do covil do tráfico é exemplar. Denzel Washington, o protetor, acerta o relógio, e quando ele faz isso você sabe que é para contabilizar os segundos que levará para colocar cinco, seis homens a nocaute. Dessa vez, McCall investiga a morte de uma amiga. Descobre a corrupção e a desumanidade dentro da organização a que pertencia. E parte para a ação.

Você pode ver O Protetor 2 por esses momentos de explosão de violência. Há uma cena de luta, incrivelmente filmada dentro de um carro em alta velocidade. Mas o bom é quando para a correria e o espectador, como o personagem, respira. McCall lê muito, lê Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido. Não há possibilidade de tempo reencontrado para ele, talvez no 3? Há uma tristeza que corrói a alma, e o filme passa com sensibilidade.

 

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