Merie Wallace/ AP
Merie Wallace/ AP

Análise: O cardápio do Oscar 2018 é grande, porém variado e substancioso

Entre os concorrentes a filme estrangeiro temos um latino-americano, o chileno 'Uma Mulher Fantástica', com protagonista transgênero

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2018 | 13h12

Como estava previsto, A Forma da Água lidera, com 13 indicações ao Oscar. Por isso pode ser tido como virtual vencedor na categoria principal, a de melhor filme? Não se pode afirmar com 100% de certeza. Serão nove os concorrentes à estatueta mais desejada, a ser conhecida dia 4 de março, além de A Forma da Água: Dunkirk, Me Chame Pelo seu Nome, O Destino de uma Nação, Corra!, Lady Bird - é Hora de Voar, Trama Fantasma, The Post - A Guerra Secreta e Três Anúncios para um Crime

Em todo caso, A Forma da Água aparece mesmo como favorito, inclusive porque Guillhermo Del Toro está indicado para melhor diretor, o que dá uma turbinada em sua candidatura. Há uma tendência, embora não absoluta, de o vencedor do Oscar formar a dupla melhor diretor-melhor filme. Tendência, não regra. Assim sendo, a ausência de Martin McDonagh entre os cinco indicados para diretor enfraquece um pouco a candidatura de Três Anúncios para um Crime, tido até agora como um dos mais votados nas bolsas de apostas. 

O fato é que indicar nove filmes como finalistas, ao invés de cinco, torna o vencedor ainda mais difícil de prever. Abre o leque. Mesmo porque, entre eles há filmes de várias tendências e de boa qualidade, embora nenhuma obra-prima. Em termos temáticos, é curiosa a volta de interesse pela 2ª Guerra com Dunkirk e O Destino de uma Nação. The Post evoca a liberdade de imprensa e o protagonismo feminino. Já Três Anúncios para um Crime detém-se na América profunda, chave de muitos impasses, inclusive da imprevista eleição de Donald Trump.

Me Chame pelo Seu Nome e Lady Bird são de corte intimista e focam jovens na descoberta da sexualidade. Corra! traz a força de reapresentar a questão da discriminação racial, tema da agenda do momento. E, correndo sempre por fora, A Forma da Água aposta na via do fantástico com sua história de monstro, mas para falar de aberrações bem reais, como a sexualidade reprimida, as perseguições macarthistas na Guerra Fria, a violência e a intolerância. 

O cardápio do Oscar 2018 é grande, porém variado e substancioso. 

Alguns dos favoritíssimos estão lá, no páreo. Gary Oldman com sua incrível caracterização de Churchill em O Destino de uma Nação. A não menos maravilhosa Frances McDormand em Três Anúncios para um Crime, como a mulher determinada em fazer em fazer justiça por sua filha estuprada e assassinada. Se perderem, será surpresa. 

A notar que James Franco ficou fora das indicações por Artista do Desastre depois de ser citado por assédio, acusação hoje com valor desclassificante. 

Entre os concorrentes a filme estrangeiro temos um latino-americano, o chileno Uma Mulher Fantástica, com protagonista transgênero, pelo que também se inclui na agenda da hora. Mas tem páreo duro pela frente, com Insult (Líbano), Sem Amor (Rússia), Corpo e Alma (Hungria) e The Square - a Arte da Discórdia (Suécia). O mais forte, a meu ver, é Sem Amor. O mais original, Corpo e Alma. O mais inteligente, The Square. Quem leva?  

O Brasil, mais uma vez fora das indicações de filme estrangeiro, está presente no Oscar. O diretor Carlos Saldanha disputa na categoria longa de animação com Touro Ferdinando.  E Rodrigo Teixeira é um dos produtores de Me Chame pelo Seu Nome

 

 

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