Searchlight Pictures
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Análise: ‘Nomadland’ não é um grande filme – não foi grande vitória

Foi o Oscar da diversidade. Muitas mulheres, negros, uma asiática. Vitória da diversidade, discursos contundentes – contra a violência da polícia, os armamentos

Luiz Carlos Merten, Especial para o Estadão

26 de abril de 2021 | 15h58

Steven Soderbergh, que dirigiu a cerimônia, prometeu uma premiação que se desenrolaria como um filme. Ele inverteu a sequência das premiações de anos anteriores e começou com um plano sequência em que a câmera acompanhava a atriz e diretora Regina King desde o tapete vermelho até a arena montada no interior da Union Station de Los Angeles. 

Como mãe de um jovem negro, Regina deu o tom político ao falar sobre a violência da polícia contra jovens negros. Anunciou os Oscars de roteiro. Christopher Hampton e Florian Zeller venceram o de roteiro adaptado por Meu Pai. Derrotaram Chloé Zhao, que ganhou depois, por Nomadland, os prêmios de melhor diretora – apenas a segunda mulher, e a primeira asiática, em 93 anos de prêmio –, melhor filme e atriz, Frances McDormand. 

Vamos aos fatos. Por interessante que seja, Nomadland não é um grande filme. É meio pirandelliano – uma personagem à procura de um filme. O existente é meio vago, para se dizer o mínimo. Não foi uma grande vitória. A Academia deixou isso claro nos quesitos roteiro e montagem. Para fechar seu filme – Oscar, A Premiação -, Soderbergh deve ter apostado num prêmio póstumo para Chadwick Boseman como grand finale. Nem ele, nem Viola Davis levaram, por A Voz Suprema do Blues. Quem ganhou foi Anthony Hopkins, por Meu Pai, que não estava presente. O Oscar terminou abruptamente. Bye e até o ano que vem. 

OK, foi o Oscar da diversidade. Muitas mulheres, negros, uma asiática. Vitória da diversidade, discursos contundentes – contra a violência da polícia, os armamentos. (Estavam falando da ‘América’ ou do Brasil?). Além de bela, H.E.R. foi magnífica com seu Oscar de canção (Fight for You) e o discurso: “Vamos lutar pela verdade, conhecimento é poder”. A rainha da festa terminou sendo a derrotada Glenn Close, com aquela dancinha ótima.

É CRÍTICO DE CINEMA DO ‘ESTADÃO’ E AUTOR DE OBRAS SOBRE O GÊNERO COMO ‘CINEMA – ENTRE A REALIDADE E O ARTIFÍCIO’ 

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