REUTERS/Mario Anzuoni
REUTERS/Mario Anzuoni

Análise: no Globo de Ouro, todos vestem preto em ato de protesto

Atrizes se manifestam contra assédio sexual e conferem um tom mais engajado e nada frívolo ao tapete vermelho

Maria Rita Alonso, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2018 | 02h24

A ideia da moda como expressão foi elevada à máxima potência no tapete vermelho do Globo de Ouro. Sim, as roupas falam por nós. Ontem, no caso, gritaram, com todos os artistas vestidos de preto em apoio ao movimento Time’s Up, que combate a discriminação não apenas em Hollywood, mas no país inteiro. A campanha mobiliza mais de 300 atrizes, diretoras e agentes, e já angariou US$ 14 milhões para ajudar vítimas de assédio sexual.

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Diferentemente do que ocorre sempre, quase não se falou sobre vestido, cabelo e maquiagem. Não havia clima para isso. Se nos últimos anos a campanha #AskHerMore já intimava jornalistas a consultar as atrizes sobre coisas menos frívolas do que roupas, desta vez, ninguém foi capaz de fazer a pergunta “de onde é o seu vestido?” – para a infelicidade das marcas de luxo, que emprestam tudo em troca da publicidade. 

Em compensação, a moda foi colocada justamente no centro da festa, cada um dos pretinhos glamourosos querendo falar mais alto do que outro. Detalhes brilhantes, modelagens arrasadoras e tecidos luxuosos marcaram posições. 

Ponto para as mangas de Angelina Jolie, a transparência de Jessica Biel e o smoking de Claire Foy. Fizeram diferença ainda joias pesadas, com brilhantes e esmeraldas, e penteados trabalhados. Nesse quesito, venceu o black power de Viola Davis. 

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O debate sobre a equiparação do valor dos cachês entre homens e mulheres também foi levantado. Um pequeno broche escrito “50:50” reivindicava oportunidades iguais. Alguns atores demonstraram simpatia usando black-tie com a camisa preta. Atrizes como Meryl Streep levaram ativistas à premiação. “Temos direito a um ambiente de trabalho digno”, disse ela. É tempo de mudança. 

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