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Análise: Nem Bryan Cranston salva 'Tinha Que Ser Ele?' do seu humor rasteiro

Filme do diretor John Hamburg mostra enredo fraco e sem personalidade

Reuters

15 Março 2017 | 16h54

SÃO PAULO - Na primeira cena de Tinha Que Ser Ele?, o personagem de James Franco, Laird Mayhew, um jovem magnata criador de um aplicativo de celular, está numa conversa de vídeo com sua namorada, Stephanie (Zoey Deutch).

E comenta que, como eles não passam a noite juntos há três dias, ele está com o saco escrotal azul, quase preto. Na cena seguinte, quando a garota está numa videoconferência com a festa de aniversário do pai, Ned (Bryan Cranston), o rapaz entra na casa dela e começa a tirar a roupa, sendo que seu traseiro fica em evidência, projetado na tela do restaurante para todos verem.

Logo de cara, o filme de John Hamburg (Quero Ficar com Polly) deixa claro o tipo de humor com que trabalhará. É aquele rasteiro, que nem muito engraçado é, calcado em palavrões e alguma escatologia. A trama central tem a ver com o fato de que Ned conhecerá Laird e não gostará nada dele, e passará o tempo tentando impedir que ele peça sua filha em casamento. Se a trama se parece com Entrando numa Fria não é por acaso: o diretor e roteirista também é responsável pelo roteiro do outro filme.

Franco interpreta um milionário com a casa toda digitalizada, que receberá os pais de Stephanie - a mãe, Barb, é interpretada por Megan Mullally, a inesquecível Karen Walker, da série Will & Grace- e o irmão mais novo dela, Scotty (Griffin Gluck). Fora a linguagem baixaria, Laird não deixa de fazer comentários sobre a sua performance e a da namorada na cama - para desespero do pai super-protetor dela -, além de se mostrar narcisista, egocêntrico e irritantemente ingênuo.

O núcleo da comédia ancora-se na disputa entre o pai e o namorado por Stephanie. Há também uma diferença entre eles subjacente em todo o filme: Laird é o futuro, do qual não se poderá fugir, e Ned é um passado, que, aos poucos, deixa de existir. Ele tem uma gráfica que parece estar com os dias contados - ninguém imprime mais nada. Curiosamente, seu candidato a genro vive numa casa livre de papel - nem papel higiênico existe lá. Os vasos sanitários são do “tipo japonês”, com jatos de água e afins para fazer a higiene.

Cranston é um grande ator - basta vê-lo em Trumbo - Lista Negra ou na série Breaking Bad- e suas cenas com Megan são boas. Mas, mais cedo ou mais tarde, ele iria fazer um filme ruim (apesar de ele ser o que há de melhor aqui). A pergunta é: tinha que ser logo com James Franco?

 

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