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Análise: 'Moonlight' é original, ousado e usa a emoção no momento certo

Filme deixa pelo caminho alguns clichês

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2017 | 04h00

Moonlight - entre os nove indicados a melhor filme do Oscar - talvez seja o mais surpreendente .E também não lhe falta consistência na dramaturgia e na mise-en-scène. 

Ao contar a história do garoto frágil, que cresce e se torna um homenzarrão sem abdicar de sua necessidade de afeto, Moonlight deixa pelo caminho alguns clichês. A começar pelo fato de que um traficante de drogas, Juan (Mahershala Ali é tido como favorito a coadjuvante) poder ser apresentado como mentor de uma criança tão frágil a ponto de ser chamada de Little. 

Depois, já rapazinho, Little é traído e abandonado por um amigo, Kevin, com quem se reencontra anos depois.

 

Já transformado no fortão Black (Trevante Rhodes) revê o amigo de juventude, Kevin (André Holland), agora cozinheiro de uma lanchonete.

Moonlight - Sob a Luz do Luar é um filme terno, mas nunca piegas. Percorre os caminhos difíceis da identidade sexual, mais ásperos ainda no meio social do protagonista. Esse é um trunfo, e também um desafio para o diretor Barry Kenkins. A história se passa sempre fora dos círculos “normais” da intelectualidade branca, onde determinados comportamentos são tidos como corriqueiros.

Quando se acrescenta ousadia ao inesperado, fica-se à beira do abismo. Mas também mais próximo da originalidade e da relevância. A dificuldade contribui para o resultado. Como retrata alguns meios nos quais demonstrações de afeto podem ser vistas como fraqueza, a emoção, quando surge, é tanto mais intensa quanto verdadeira.

 

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