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Análise: 'Life - Um Retrato de James Dean' capta momento em que um bom ator vira astro

Filme de Anton Corbijn oferece também uma mirada nos bastidores da indústria do cinema

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

23 Julho 2016 | 16h00

Dennis Stock era fotógrafo da revista Life quando propôs ao seu editor uma pauta com um ator emergente, que pouca gente conhecia. Enfrentou, como se imagina, ceticismo e resistência. Coisa que não aconteceria se o chefe pudesse enxergar o futuro e ver que o novato se transformaria num ícone trágico de Hollywood. Tal é a história de Life – Um Retrato de James Dean, de Anton Corbijn.

O diretor flagra um momento preciso na história de Dean. Ele é um ator talentoso, porém não ainda uma celebridade. Está prestes a se tornar protagonista de um clássico, Vidas Amargas, de Elia Kazan. Mas, assim como não se sabe quando um novato vai se tornar um símbolo, também não se conhecem os destinos dos filmes. Nesse momento, portanto, tudo é bastante indefinido. Stock conta apenas com a intuição forte de estar diante de alguém extraordinário. Tudo que lhe resta, enfim, é seguir seus instintos. E, desse modo, grudar em Dean, acompanhá-lo e fotografá-lo por bares, farras, festas incontáveis. Stock faria registros que depois entrariam para a história da fotografia de cinema.

Stock é vivido por Robert Pattinson, que faz um trabalho discreto, sóbrio, que lhe garante interpretação convincente, na base do “menos que é mais”. Dean é vivido por Dane DeHaan, em trabalho de registro oposto. Procura pôr em evidência os aspectos mais ásperos do caráter de Dean e, às vezes, flerta com a caricatura. O fato é que precisa expressar o mood de um rapaz muito jovem, que lida mal com a fama nascente, mas procura desfrutar do momento. Bebe muito, fuma demais, droga-se com o que encontra à mão, sai com mulheres. Gosta de carros e de velocidade.

Life descreve (ou melhor, interpreta) não apenas os caminhos e descaminhos dessa estrela ascendente. Oferece, também, uma mirada nos bastidores da indústria do cinema, com sua produtividade baseada na competição feroz, comandada por tubarões de poucos gestos delicados ou pruridos éticos.

O filme mostra também o conturbado relacionamento de Dean com mulheres, com uma em especial, a atriz Pier Angeli (Alessandra Mastronardi), segundo biógrafos sua grande paixão. Namoraram três meses, mas a vigilante mãe de Pier desaprovava o comportamento errático de Dean e não o desejava como genro. O romance terminou em três meses, mas ao que parece, deixou lembranças no ator.

Há esses dados biográficos, mas o filme não se preocupa tanto com a exatidão factual nem com minúcias em compor um biopic perfeito. Põe ênfase no relacionamento entre o fotógrafo e Dean, e registra esse precioso momento em que um bom ator vira astro.

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