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Scar convoca as forças da noite, as hienas, para juntos tomarem o reino de Mufase em "O Rei Leão" Disney Enterprises, Inc.

Análise: Inspiração shakespeariana dá poder ao live-action 'O Rei Leão'

O filme não economiza em cenas truculentas, ideias pesadas e mesmo contraditórias

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2019 | 12h00

William Shakespeare (1564-1616) continua a ser fonte inesgotável para a narrativa ocidental e não é por outro motivo que surge como inspiração para Rei Leão, da Disney.

 

Como se sabe, na peça mais famosa de Shakespeare, Claudio mata seu irmão, o Rei, e casa-se com a rainha, Gertrudes. O filho do Rei, o príncipe Hamlet, é atormentado pelo fantasma do pai para vingar a família e retomar o trono e a honra, matando o criminoso. Após muita hesitação, Hamlet realiza o desejo paterno (vindo do além-túmulo) e a peça termina num banho de sangue daqueles que só Shakespeare sabia encenar. 

Em O Rei Leão, escrito por Jeff Nathanson e dirigido por Jon Favreau, a Disney faz, em live-action, o remake do desenho animado de 1994. Impressiona, de fato, o hiper-realismo com que os animais são recriados. Tudo é muito bem feito. E bonito. Mas, pode-se apostar, o poder do filme, no fundo, reside na recriação parcial da história de Hamlet, tão forte que parece inscrita em nosso inconsciente coletivo.

No filme, há o poderoso Rei Leão, Mufasa, que governa os animais como um soberano absoluto, porém justo, embora isso se possa discutir. A maneira como explica por que os antílopes servem de alimento leva a pensar num certo darwinismo leonino, embora disfarçado de uma frágil justificativa “natural”. Como o rei explica ao filho, quando os seres morrem, se transformam em grama, e, como os antílopes se alimentam de grama, serem devorados faria parte do “ciclo” natural. Bem, ninguém perguntou aos antílopes se eles estão de acordo com essa tese. Mas o reinado de Mufasa não é lá muito democrático e nele cada qual sabe seu lugar. 

Enfim, tirando certas fraquezas, o rei procura manter o equilíbrio do seu reino. Nasce-lhe o herdeiro, Simba, apresentado como sucessor à corte, isto é, à coletividade dos animais, por um babuíno que passa por autoridade religiosa do reino. Mas o trono é cobiçado por Scar, o irmão inescrupuloso do rei, que não hesita em montar uma armadilha para tomar o poder, fazendo ainda o pequeno Simba se sentir culpado pelo desfecho. Na sequência posterior da trama, encena-se aquilo que é conhecido como “jornada do herói”. Simba, já adulto, será convencido da sua missão, tirar do poder o usurpador e restabelecer a ordem no reino. Encontrará aliados (e aliadas, feminismo “oblige”) para se desincumbir de sua missão, pois ninguém faz nada sozinho, nem mesmo um leão. E pronto. 

A trama é toda Shakespeare puro, com exceção de alguns detalhes, pois, apesar de bem adulto em alguns aspectos, Rei Leão é um filme para crianças. Talvez por isso - e também porque aumentaria e muito a duração do filme - seja atenuada a famosa “hesitação” de Hamlet em punir o culpado. Muito já se escreveu sobre essa particularidade, mas talvez o escrito mais famoso seja o de Sigmund Freud: Hamlet e o Complexo de Édipo. Por que Hamlet demora tanto em fazer justiça?, pergunta-se o pai da psicanálise. Talvez porque Claudio dorme com a rainha após haver assassinado o rei e Hamlet, inconscientemente, desejava fazer o mesmo, identificando-se por isso com o tio. Daí a hesitação: como punir alguém por fazer aquilo que eu também gostaria (sem saber conscientemente) de ter feito? Baita raciocínio, hein? Mas que, claro, não caberia numa produção Disney, voltado para “toda a família”, na qual não cabem alusões a sentimentos incestuosos por parte do herói. 

No mais, até que o filme não economiza em cenas truculentas, ideias pesadas e mesmo contraditórias. Há a cobiça do poder, o assassinato, e, em particular, a união do usurpador com a escória da sociedade (as hienas) para subir ao trono. Ou seja, todo um complexo de ideias violentas e politicamente incorretas que, representadas no mundo animal, parecem mais palatáveis do que quando encenadas por gente. 

 

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Divertidas animações ajudam a apresentar o mundo, às vezes duro e hostil, para as crianças

Especialistas explicam por que ver filmes que abordam temas como morte, separação, abandono e preconceito é bom para as crianças - mesmo que eles tenham uma dose de violência

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

21 de julho de 2019 | 03h00

“A vida não é justa, não é amiguinho? Enquanto uns nascem para o banquete, outros passam a vida na escuridão”, ouve o pequeno Simba em O Rei Leão, que acaba de estrear nos cinemas. Simba é só um filhote que testemunha o assassinato do pai, se culpa por sua morte e vai ter uma grande responsabilidade na vida.

Bambi também assistiu à cruel morte da mãe. Arlo vê o pai ser levado pela correnteza justo num momento em que seu principal protetor está desapontado com ele. Dumbo, já vivendo com o peso de ser ridicularizado por ter orelhas grandes demais, é separado de sua mãe. Fievel, durante uma terrível tempestade, é arremessado para fora do navio em que viaja com a família e se vê sozinho num país novo. Nemo, o filho sobrevivente de uma tragédia que dizimou quase toda a sua família, é raptado. Dory vaga pelo oceano buscando em sua curta memória algo que a leve a seus pais. 

Simba, Bambi, Arlo, Dumbo, Fievel, Nemo e Dory – um leão, um cervo, um dinossauro, um elefante, um rato e dois peixes – são apenas alguns dos inúmeros personagens que vêm povoando os filmes de animação para crianças. Feitos para divertir, eles abordam temas duros, trazem cenas violentas e podem deixar os pais em dúvida sem saber se seu filho está pronto para ser confrontado com algumas questões essenciais para o ser humano. 

Para discutir se ser confrontado com essas cenas afeta, de alguma forma, as crianças e se filmes podem incentivar a violência ou despertar um medo ou angústia que ainda não havia se manifestado, o Estado conversou com a psicóloga e consultora educacional Rosely Sayão e com o psiquiatra Daniel Martins de Barros

“Tudo o que há nos filmes há na vida. A vantagem dos filmes é que em alguns momentos a criança pode fechar os olhos se ela não quiser assistir. Na vida, ela não pode”, comenta Rosely. 

“Os pais tentam proteger os filhos de todo sofrimento e tristeza, de toda emoção negativa, mas é uma missão impossível. Parentes morrem, avós morrem. Esses filmes ajudam a introduzir esses temas para crianças”, diz Barros, que é colunista do Estado.

“Muitos pais querem evitar o tema da morte, por exemplo, mas a morte faz parte da vida”, comenta Rosely. De acordo com a psicóloga, essa é uma questão que começa a incomodar crianças mais velhas. Ela divide a infância em duas fases – até os 5, 6 anos e até os 11, 12. Sobre os da primeira fase, explica: “Elas não entendem a morte como um adulto, não têm condição de dar sentido à expressão ‘nunca mais’. Podem perguntar o que é morrer, por que morremos, se o pai e a mãe vão morrer, e ouvir como resposta, por exemplo, que a gente morre quando acaba de viver é suficiente para elas”. “Aos 8, 9 anos, elas terão necessariamente uma angústia de morte, e poucas transformarão isso em patologia.” Rosely diz que é tudo uma questão de paciência dos pais, que devem ouvir mais do que falar. “Conversar hoje, para os pais, significa eles falarem e os filhos escutarem. E deveria ser o oposto: ouvir as crianças para, a partir das ideias delas, dialogar.”

Por isso os dois defendem que os pais observem mais a reação dos filhos enquanto eles assistem a um filme do que levantem questões. “Às vezes você está vendo uma coisa muito boa para discutir, muito óbvia, mas aquilo não está na cabeça do outro. Então, não tem por que colocar o tema em pauta. É sempre mais eficaz ver o que eles trazem para a conversa”, comenta Barros. “A cena que nos preocupa pode não ter tocado a criança e se nos propusermos a discutir, podemos adiantar uma angústia. Se ela ficar quieta, deixa quieto. Além disso, às vezes não é preciso discutir um filme para que ele tenha o efeito de ajudar a criança a resolver alguma coisa. Pode ser ela com ela mesma”, diz Rosely.

Para a psicóloga, teoricamente qualquer filme pode ser visto por qualquer crianças, mas cabe aos pais decidir e arcar com as consequências que, em sua opinião, são sempre leves (perguntas, um certo medo). “Se acontecer de uma criança assistir a um filme desse e ter algo mais sério, o filme foi apenas o estopim, não a causa”, explica.

Ela diz acreditar nos estudos que mostram que há um potencial de agressividade que pode ser satisfeito ao ver uma cena violenta ou jogando um jogo mais agressivo no videogame, e que, portanto, isso não originaria um comportamento violento. 

E tudo bem ver filmes em que brinquedos ganham vida, como Toy Story, com monstros e animais falantes, já que é neste mundo da imaginação que as crianças mais novas vivem, diz Rosely. “A maior, porém, pode fazer alguma confusão e cabe aos adultos esclarecer isso. Sempre digo que é melhor ter jogos de videogame com personagens fantásticas do que com aparência humana para facilitar a separação.” 

A psicóloga finaliza ressaltando que com a ajuda dos filmes é possível entender coisas que seriam mais difíceis de compreender no mundo real.

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'O Rei Leão' é tão realista que, se ele não falasse, poderia passar por documentário

Na nova versão, além de poderem contracenar de verdade, os atores tiveram seus movimentos registrados pelas câmeras

Mariane Morisawa  ESPECIAL PARA O ESTADO , LOS ANGELES

15 de julho de 2019 | 03h00

Nos 25 anos que separam O Rei Leão original da nova versão, que estreia nos cinemas brasileiros na quinta-feira, 18, o mundo da animação se transformou. O Rei Leão, dirigido por Rob Minkoff e Roger Allers e lançado nos Estados Unidos em junho de 1994, foi uma das últimas animações feitas nos moldes tradicionais, com desenhos à mão.

Menos de um ano e meio depois, Toy Story estreava, tornando norma a animação digital. Desde então, a computação gráfica avançou bastante, como se vê neste O Rei Leão dirigido por Jon Favreau. É tão realista que, se os animais não falassem, poderia passar facilmente por um documentário narrado por David Attenborough. Mas Favreau fez uma ressalva numa entrevista à imprensa, em Los Angeles: “Presta-se muita atenção à tecnologia, mas, na verdade, este longa também foi feito à mão. Os animadores trabalharam em cada quadro, cada ambiente visto no filme, a não ser por uma tomada – que eu quero que adivinhem”. 

Favreau, que de ator de comédias e diretor de filmes leves virou o fundador do Universo Cinematográfico Marvel com Homem de Ferro, já tinha experimentado a animação fotorrealista em Mogli - O Menino Lobo, de 2016, cuja ação se passava nas florestas indianas, mas que foi totalmente feito em Downtown, Los Angeles. A equipe de O Rei Leão também jamais pisou o solo do continente africano, a não ser numa viagem de pesquisa para estudar o comportamento dos animais e as diversas paisagens que aparecem no filme.

Depois disso, tudo foi feito em Playa Vista, apelidada de Praia do Silício, a região que concentra as empresas de tecnologia em Los Angeles. Mas o método foi um tanto diferente. “Mogli usou a mesma técnica de captura de performances desenvolvida dez anos antes para Avatar”, explicou Favreau. Agora, o cineasta resolveu experimentar um sistema de “game engine” e tecnologia VR. “Essencialmente, criamos um game multiplayer de cinema.” Em vez de usar aqueles macacões cheios de pontos, os atores foram convidados a um cubo negro em que, com a ajuda dos óculos de realidade virtual, conseguiam enxergar os terrenos pelos quais seus personagens estavam transitando. “Vimos a Pedra do Reino, o cemitério dos elefantes, tudo!”, disse, animado, JD McCrary, que faz a voz original do Simba criança.

Além de poderem contracenar de verdade, em vez de gravar suas vozes isoladamente em cabines, os atores tiveram seus movimentos registrados pelas câmeras do diretor de fotografia Caleb Deschanel – numa animação digital tradicional, normalmente o movimento das câmeras e a iluminação são feitos no computador. Só depois disso os animadores começaram a trabalhar, baseando-se nas pesquisas da vida selvagem, já que a ideia não era antropomorfizar os personagens. “Eu acho bacana ver a tecnologia como um convite ao progresso, mas não necessariamente como algo que vai substituir o que existe. Acredito num equilíbrio entre inovação e tradição”, afirmou Favreau.

Na história, ele optou pela tradição. Muito pouco foi alterado em relação à produção de 1994, considerada um clássico. Simba (voz original de JD McCrary na infância, Donald Glover na fase adulta) é o herdeiro do trono de seu pai, Mufasa (James Earl Jones, o único que repetiu seu papel). Sua mãe é Sarabi (Alfre Woodard). Aventureiro, um pouco arrogante, Simba é amigo e prometido de Nala (Shahadi Wright Joseph na infância e Beyoncé como adulta) e recebe lições valiosas de seu pai, como a do círculo da vida. “Acho bom fazer filmes que são globais, com cidadãos do mundo, porque estamos verdadeiramente todos conectados”, disse Donald Glover. Mas a convivência é curta: graças às armações de seu tio Scar (Chiwetel Ejiofor), Mufasa morre no estouro de uma manada, Simba sente-se culpado e parte para o exílio, renunciando a seu papel de príncipe e curtindo a vida adoidado com Timão e Pumba (Billy Eichner e Seth Rogen). As famosas músicas, como Hakuna Matata, continuam, com a adição de uma inédita, composta por Elton John e Tim Rice.

A maior mudança são as hienas, que eventualmente podem ser engraçadas, mas certamente são mais ameaçadoras do que no desenho original. Elas são a SS de Scar, que não está nem um pouco preocupado com a manutenção do círculo da vida e em pouco tempo destrói a natureza ao redor. A ressonância com os tempos de hoje é clara – como era em 1994, fazendo eco com o fim do apartheid na África do Sul. “O filme destaca as verdades na nossa vida. Não importa quem está ouvindo ou que idade tem”, disse Alfre Woodard. A tecnologia pode ter mudado muito em 25 anos, mas as mensagens de O Rei Leão continuam valendo. 

 

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'O Rei Leão' original consumiu seis anos de trabalho

Em 1994, o trabalho era ainda manual e pequenas cenas necessitavam de meses de concentração; filme faturou dois Oscars

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2019 | 03h00

A nova versão de O Rei Leão chega aos cinemas no momento certo, quando se completam 25 anos da estreia da animação dos estúdios Disney. Naquele ano de 1994, o filme logo conquistou uma estrondosa bilheteria nas salas (cerca de US$ 45 milhões) e também na versão em vídeo (mais de 55 milhões de cópias, ainda hoje um recorde). Naquela época que antecedeu a digital, o desenho foi criado principalmente nas mesas de desenho dos artistas de animação dos estúdios da Disney. Foram seis anos de trabalho até o material estar pronto. E, contrariando as expectativas negativas, a animação faturou dois prêmios Oscar: melhor canção original e melhor trilha sonora.

O projeto nasceu em 1988, quando a Disney decidiu criar um longa animado que fosse ambientado na selva africana. Era o primeiro trabalho que não partia de uma história já concebida. Assim, o roteiro tem 28 assinaturas, uma força-tarefa para criar o drama shakespeariano do jovem leão Simba, cujo pai morre em emboscada armada pelo irmão, reflexo fiel da trama de Hamlet. Longe da família, ele é obrigado a passar pelo rito de passagem da infância para a fase adulta até retornar e retomar o trono.

Por utilizar ainda um técnica artesanal, o desenho demandou tempo. A morte do rei Mufasa, por exemplo, no meio de uma manada de gnus em correria, consumiu dois anos para ser finalizada – na tela, corresponde a dois minutos. 

As canções criadas por Elton John, especialmente O Círculo da Vida, foram utilizadas na versão musical que a diretora Julie Taymor levou para a Broadway, em 1997, que logo se transformou um enorme sucesso – ainda está em cartaz em Nova York. Sua grande sacada foi não esconder os efeitos especiais, como a Disney fazia até então em seus espetáculos, deixando que a manipulação dos bonecos fosse vista pela plateia, que criava sua própria fantasia. O resultado é original até hoje, como provou a montagem brasileira, uma super produção encenada em 2013.

 

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'A beleza da arte é fazer rir, e também preservar o planeta', diz criador da trilha de 'O Rei Leão'

O alemão Hans Zimmer tem mais de uma centena de trilhas de cinema em seu currículo

Entrevista com

Hans Zimmer

Mariane Morisawa ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2019 | 03h00

O alemão Hans Zimmer tem mais de uma centena de trilhas de cinema em seu currículo. Uma das mais famosas é de O Rei Leão original – que ele só aceitou fazer, depois de relutar, por causa de sua filha Zoe, na época com 6 anos. Valeu a pena: pelo trabalho, recebeu seu único Oscar. Zimmer assina a trilha da nova versão, com algumas mudanças. Em entrevista exclusiva ao Estado, falou sobre música e, espontaneamente, sobre o Brasil.

Como sua relação com a trilha evoluiu nesses 25 anos?

Claro que sempre achei que poderia melhorar algumas coisas. Quando Jon Favreau me mostrou a abertura deste, logo percebi que seria maior. Ao mesmo tempo, eu tinha a cobrança de minha filha: não vá estragar tudo! (risos).

Mas então a trilha desta vez é mais grandiosa?

Na verdade, não. Você sabe que todos os bons filmes sobre a África precisam ter um brasileiro tocando. Chamei meu amigo Heitor Pereira, que não sabe tocar Kalimba, então ele inventou um jeito de tocar, e o som ficou absolutamente brilhante. A primeira cena é só esse som pequeno e delicado que o Heitor tocou. Eu me cerquei de grandes músicos, então quis poder ouvi-los. A trilha é mais pessoal. 

Isso reflete uma mudança em você como compositor?

Não sei. Um tempo atrás, Pharrell Williams, Ann Marie Simpson e Johnny Marr me falaram que eu não podia me esconder atrás de uma tela a vida toda. Que eu tinha de fazer concertos e olhar o público nos olhos. Então eu fiz. E aprendi sobre minha própria música. Porque de repente era um diálogo entre a plateia e eu. 

O filme é naturalista. Isso influenciou?

Sim. Eu trabalhei muitas vezes com David Attenborough, é parte do meu DNA. E vou falar isso conscientemente para uma brasileira, mas o Brasil está passando por um processo de desmatamento terrível, que não é nada bom para nosso planeta. O Rei Leão original era muito político para o músico Lebo M (que trabalhou na trilha com Zimmer) e eu, porque Nelson Mandela estava voltando, ou seja, era o retorno do rei. Agora é diferente: Olhe a beleza deste planeta, não vamos destruir isso. Que este filme faça as pessoas perceberem que não somos as únicas criaturas neste planeta e deveríamos ser mais generosos e delicados com quem compartilhamos a Terra. 

 

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