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Análise: Indagação existencial e tom sombrio imprimem qualidade de 'Doutor Estranho'

Filme é muito bom, melhor que quase tudo que a Marvel tem nos proposto recentemente

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2016 | 07h00

Benedict Cumberbatch não é mais só um ator. Há um culto a ele. As oficiantes são principalmente mulheres – nos EUA, são chamadas de ‘cumberbatches’ e até de ‘cumberbitches’. É ótimo ator, mas tem aqueles olhos cinzentos, que eventualmente parecem vazados. Funciona muito bem na criação de personagens estranhos. Ninguém mais estranho que o doutor com esse nome. O filme é muito bom, melhor que quase tudo que a Marvel tem nos proposto recentemente – Superman e Batman são da DC Comics.

A Marvel, a par dos Vingadores, tem investido em personagens menos icônicos, ou que assim eram – Dr. Estranho, o próprio Homem de Ferro (antes do estouro com Robert Downey Jr.). Dr. Estranho é aquele tipo autossuficiente, arrogante. Perde tudo, rapidinho, nas cenas iniciais do filme de Scott Derrickson. Parte numa jornada de autodescoberta. Vive paradoxos temporais e espaciais – os labirintos de M.C. Escher, que Christopher Nolan já filmou em A Origem. O encontro de Dr. Estranho com a Anciã (Tilda Swinton) eleva o filme a um plano de indagação metafísica e existencial, como em outros filmes do diretor (O Exorcismo de Emily Rose, O Dia em Que a Terra Parou). O problema é que o relato, apesar de toques de humor, é muito sombrio. Na verdade, é qualidade. Tomara que o público perceba.

 

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