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Análise: Ícones da cultura pop, super-heróis se alimentam do medo

Ungidos da missão de salvar o mundo, os super-heróis podem se diversificar e atender a vários outros anseios

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2019 | 03h00

Mesmo sem guerras de extensão global, nunca nos sentimos tão ameaçados. Por gente de fora (imigrantes, terroristas) ou de dentro (bandidos comuns, traficantes, corruptos, gente que pensa diferente de nós). Assediada pelos dois lados, nossa precária civilização precisa contar com forças extraordinárias para sobreviver. Os super-heróis são essa metáfora feliz da resistência, saída das páginas dos gibis para os telões Imax dos cinemas. 

Ungidos da missão de salvar o mundo, os super-heróis podem se diversificar e atender a vários outros anseios. Atendem em primeiro lugar à fantasia de dispor de superpoderes para combater o Mal. Mas, ao longo de sua evolução, podem se complexificar e incorporar novas demandas. Da alma pura do Super-homem pode passar para heróis com lado dark como em algumas versões de Batman.

Ou acomodar questões de gênero, como em Mulher-Maravilha, ou raciais, como em Pantera Negra. Podem mesmo se autoironizar como em Deadpool, sem por isso cometer haraquiri imaginário perante seu público. 

Nesse mundo cheio de insegurança, real ou imaginária, é possível que os super-heróis tenham grande futuro pela frente, reciclando-se a si mesmos como convém à cultura pop. Podem um dia tornar-se obsoletos, como aconteceu com o faroeste, gênero fortíssimo que sumiu do mapa ao deixar de expressar a mitologia civilizatória americana.


 

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