Sony Pictures Animation
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Análise: 'Hotel Transilvânia 3', com uma vilã declarada, funciona melhor

Filme estreia nas salas brasileiras na próxima quinta-feira, 12

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2018 | 06h00

Na próxima quinta-feira, 12, mil salas de todo o Brasil estarão apresentando Hotel Transilvânia 3 em 3D e 2D, cópias dubladas e legendadas. O número pode até aumentar, diminuir é que não. No sábado, o repórter assistiu ao filme numa sessão para crianças, repetindo o que fizera, semanas antes, com Os Incríveis 2.

+++ Em ‘Hotel Transilvânia 3’, viagem dos sonhos de Drácula vira pesadelo

A recepção foi muito mais calorosa. Brad Bird é um grande diretor, a sequência de Os Incríveis entrou arrebentando, mas convém não subestimar o potencial de ‘Drac’ e seus amigos e familiares. Hotel Transilvânia 3 é ótimo.

Três! Nos tempos áureos de Walt Disney à frente de sua empresa, as animações nunca viraram séries. Algumas talvez não comportassem isso – Branca de Neve e os Sete Anões, Cinderela, A Bela Adormecida. Mas hoje, com certeza, os roteiristas inventariam novas aventuras para Bambi, Pinóquio, etc.

Hotel Transilvânia tem a chancela da Sony Animation. Chega ao terceiro episódio sem esgotar seu potencial. Desnecessário assinalar a fascinação do público jovem pelo fantástico, e pelo terror, mas em geral não é pelas histórias tradicionais. O gosto do público de live action é por tramas muito mais sanguinolentas – Saw/Jogos Mortais, A Hora do Pesadelo, Sexta-Feira 13, Annabelle...

Em 2001, na Pixar, Peter Docter lançou um balão de ensaio – Monsters Inc. Em Monstrópolis, a cidade dos monstros, a energia é movida pelos gritos de medo das crianças, premissa interessante (e original). Em 2012, e com produção de Adam Sandler, Genndy Tartakovsky resolveu remodelar o conceito para uma família de monstros, não muito mais disfuncional que as outras. Papai Drácula cria um hotel para preservar os monstros dos nocivos contatos com humanos.

Na verdade, ele está mais interessado em salvaguardar a inocência de sua filha centenária, mas que mantém a aparência de jovem. Apesar do desvelo paterno, Mavis, a filhota, descobre o amor com um DJ humano. Isso ocorre no 1. No 2, o casal tem um filho e a preocupação de ‘Drac’ (Drácula) é com o neto. E no 3?

O filme começa no passado, num trem que conduz Drácula e seus amigos disfarçados. Surge o caçador de monstros, Van Helsing, e a caçada recomeça. Corte para o presente. O vampirão sente-se solitário. A filha tem a própria família, papai tem os amigos, mas... Drac, romântico incurável, pode até acreditar que o tchã – o amor verdadeiro – só ocorre uma vez na vida, e a dele já foi, mas Mavis organiza as ‘férias monstruosas’, subtítulo brasileiro, para que o pai se apaixone de novo.

A família toda embarca num cruzeiro marítimo, e ó surpresa. Os dois primeiros filmes não tinham propriamente vilões – antagonistas – e faziam da disfuncionalidade o motor das narrativas (e do humor). Agora existe um vilão declarado que vai fazer de tudo para destruir o Drácula, convertido em herói.

O vampiro apaixona-se, mas até o happy end os percalços são muitos. O próprio amor – pela capitã do navio – revela-se perigoso, mas nada que a ‘mensagem’ de direito à diferença não resolva. A animação, os personagens, o humor, a trilha (o DJ é o cultuado Tiësto), tudo funciona.

Hotel Transilvânia tem fôlego para chegar ao 4, ao 5. Em 2010, Meu Malvado Favorito já mostrou que o gosto do público infantil mudou. Na trilha dos Minions, o hotel ainda vai aceitar muitas reservas. Um regalo são os créditos, e a cena do avião, com os destrutivos gremlins.

 

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