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Análise: 'Homem-Formiga e a Vespa' tem diversão moderada, em drama familiar feito para rir

É possível até que o espectador se divirta – moderadamente – com a sequência de Homem-Formiga

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2018 | 06h00

Nesse mundo de consumo rápido, o site Rotten Tomatoes virou referência do gosto do público nos EUA. Se os ‘Tomates Podres’ aprovaram, os produtores relaxam – é quase certo que o filme vai estourar. Rotten Tomatoes deu 90% de aprovação para Homem-Formiga e a Vespa. No site popular, o filme de Peyton Reed bateu Vingadores: Guerra Infinita. Não se trata de querer comparar guerras com o público, mas não entre nessa fria.

É possível até que o espectador se divirta – moderadamente – com a sequência de Homem-Formiga. As cenas de ação são eficientes e a transformação do personagem – tamanho normal, minúsculo, até gigante – no mesmo plano cria efeitos cartunescos que a gente encontra, por exemplo, em Os Incríveis 1 e 2. Já as piadas são invariavelmente sem graça, e um bom exemplo disso é o personagem do marido da ex-mulher de Scott Lang.

Nada do que ele faz ou diz para tripudiar o (ex) rival consegue divertir de verdade. E tem a, digamos, dramaturgia. De cara, o filme desenha-se como um conflito familiar. Os dublês de cientistas e super-heróis Michael Douglas e Michelle Pfeiffer despedem-se da filha e partem numa nova missão que os leva a um desafio decisivo. Marido e mulher separam-se e ela fica presa no mundo quântico. Pelas décadas seguintes, Michael Douglas vai tentar trazer a mulher de volta, mas só conseguirá localizá-la com a ajuda da filha, a Vespa, e do Homem-Formiga.

Pode-se imaginar que bela tragédia familiar um Zack Snyder criaria a partir daí, mesmo com o risco de desagradar a fãs que consideram a mitologia das HQs intocável. O roteiro esboça uma espécie de drama, mas o objetivo é a comédia. Para fazer rir, Reed (parece trocadilho) eleva a destruição urbana a doses pantagruélicas. Por causa desses estragos, os super-heróis tornam-se indesejáveis em Os Incríveis 2. Menos superpoderes, mais habilidades (a meta de Brad Bird no outro filme). Para complicar ainda, o final tem de ser aberto para justificar a promessa – Homem-Formiga e a Vespa voltarão. A certeza vira interrogação, considerando-se aonde vai parar o herói e o que ocorre com seus parceiros.

No máximo, uma ou duas estrelinhas – pelas simpatia de Paul Rudd e o reencontro com Michelle Pfeiffer, apesar daquela peruca de velha que mais parece coisa de bruxa. Mas no Rotten Tomatoes é quatro. Cabe a você tirar a teima, nesse tempo de mata-mata na Copa.

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