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Análise: histórias de vampiros fascinam pelo poder sexual

Há um mito do vampiro que não cessa de alimentar o imaginário do público, na literatura, cinema, TV e teatro

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

21 Março 2017 | 05h00

Há um mito do vampiro que não cessa de alimentar o imaginário do público. Literatura, cinema, TV, teatro. Vampiros assombram, metem medo, provocam gargalhadas. Deram até de cantar e dançar. O próprio cinema encarregou-se de contar – em Gothic, de Ken Russell – a história sobre como Mary Shelley e o Dr. Polidori se desafiaram, numa certa noite de 1816, a escrever seus clássicos. Frankenstein e The Vampyre/O Vampiro. Veio depois, em 1897 – dois anos após o advento do cinema –, o Drácula de Bram Stocker. E, em 1919, o Nosferatu, de F. W. Murnau.

Murnau adaptou livremente Drácula, mas, como não possuía os direitos do nome, batizou seu vampiro como Nosferatu. Nas sombras do expressionismo, ele se move, sinistro, à frente de seu exército de ratos. Anos mais tarde, Francis Ford Coppola inspirou-se no mito de Vlad, o Empalador, que impregnou o seu Drácula. E o Drácula de Mel Brooks – morto, mas feliz. Os vampiros atualizam-se. Viram teens, como Romeu e Julieta, na saga Crepúsculo, em que Isabella Swan/Kristen Stewart morre de desejo pelo seu Edward Cullen/Robert Pattinson.

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Vampiros fascinam por causa do poder. Transformam-se, voam. São eternos. E são predadores sexuais. Sugar o sangue vira metáfora do intercurso. Vampiros dominam sexualmente suas vítimas. Fazem delas e deles seus escravos. E existe a mística do próprio sangue, que é energia vital. O sangue fora das veias e artérias habita os dois mundos antagônicos – da vida e da morte. Ao se apropriar do sangue/energia do outro, o vampiro o enfraquece. 

Essa longa história tem rendido filmes que desafiam cânones. Em 1983, em Fome de Amor, de Tony Scott, a vampira Catherine Deneuve precisa de sangue jovem para manter vivo o amante eterno – David Bowie. Susan Sarandon parece, mas só parece, a vítima perfeita. Jogos homossexuais – Tom Cruise e Brad Pitt em Entrevista com o Vampiro, de Neil Jordan. E os vampiros – belos, e gays, e bissexuais – de True Blood. Não é só a potência sexual, o poder de sedução – de subjugar – que é atraente. Vampiros, por natureza, não são éticos. Exercem seu poder destruidor sem nenhuma moralidade para condicioná-los.

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A grande exceção nesse universo de morbidez e lubricidade é um filme de vampiro do começo dos anos 1930, dirigido pelo mestre dinamarquês Carl Theodor Dreyer. O vampiro de Dreyer tem o pé na literatura, mas descende de Sheridan Le Fanu. Como sempre, na obra do autor, o tema é a transcendência. O vampiro, face à eternidade, é o grande solitário no mundo que lhe volta as costas.

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