LEONARDO SOARES/ESTADÃO
LEONARDO SOARES/ESTADÃO

Análise: Hector Babenco, filme a filme

Crítico de cinema do 'Estado' repassa as produções principais de Hector Babenco

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

14 Julho 2016 | 11h13

O Fabuloso Fittipaldi (1973). Seria o filme de estreia de Babenco, mas a autoria é discutida. Esse documentário sobre o piloto Emerson Fittipaldi aparece ora como direção de Hector Babenco, ora como de Roberto Farias. No respeitado Dicionário de Cineastas Brasileiros, de Luis Felipe Miranda, está assim definido: “Dirige documentário sobre o piloto de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi, em que assina a supervisão geral e cuja direção foi creditada a Roberto Farias”.

O Rei da Noite (1975). Este é o primeiro filme de ficção de Babenco, sobre a trajetória de Tertuliano, rapaz de família que se transforma em boêmio e explorador de mulheres. Uma densa imersão na noite paulistana com atenção especial para o submundo.

Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977). Talvez um dos melhores filmes policiais brasileiros, contando a história do bandido da vida real Lúcio Flávio Vilar Lírio, interpretado por Reginaldo Faria. De tom naturalista, cool, não julga o personagem, mas aponta para o tema da corrução policial. Foi um grande sucesso comercial.  

Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980). Versão cinematográfica do romance reportagem de José Louzeiro A Infância dos Mortos, é o filme que torna Babenco conhecido internacionalmente, premiado em vários festivais. Abre os olhos do país para a infância desassistida e traz o ator mirim Fernando Ramos da Silva em cenas de antologia com Marilia Pêra, no papel de uma prostituta.

O Beijo da Mulher Aranha (1984). Esta já é uma produção internacional, baseada na obra do seu conterrâneo Manuel Puig, com William Hurt, Raul Julia e Sonia Braga, na história do homossexual e do militante político que partilham a mesma cela.  

Ironweed (1987). Inspirado no romance Vernonia, de William Kennedy, tem ninguém menos que Jack Nicholson e Meryl Streep como moradores de rua nesta história que mostra o lado B do sonho americano.

Brincando nos Campos do Senhor (1990). Baseado no romance homônimo de Peter Mattiensen (At Play in the Fields of the Lord), e filmado na Amazônia, conta também com elenco misto, nacional e internacional, Tom Waits, Aidan Quinn e Kathy Bates com Stenio Garcia, Nelson Xavier e José Dumont, na história do casal de evangélicos que se embrenha na selva para levar a palavra do Senhor aos incréus indígenas. Filme triturado pela montagem, como se queixava o diretor.

Coração Iluminado (1997-1998). Com elenco misto, desta vez argentino e brasileiro, este longa falado em espanhol representa o regresso de Babenco às suas raízes argentinas. Denso, alegórico, desesperado, fala do amor terminal de um casal, através de épocas distintas.

Carandiru (2002). Adaptação do livro homônimo do médico Dráuzio Varela, embrenha-se no mundo do antigo complexo penitenciário paulistano, para culminar no dia do massacre de 111 presos. Um dos grandes sucessos da Retomada do cinema brasileiro com mais de 4 milhões de espectadores.

O Passado (2007). Embora não tenha o traço autobiográfico de Coração Iluminado, O Passado fala muito de Babenco. A história, baseada no romance homônimo de Alan Pauls, diz respeito, segundo o diretor, à permanência do amor mesmo quando o relacionamento acaba. Conta a história de Rimini (Gael García Bernal) que termina um casamento de 12 anos com Sofia e dá início ao relacionamento com uma modelo.

O Amigo Hindu (2015). Relato autoficcional da doença de Babenco, tem no norte-americano William Dafoe o alterego do diretor. Ele enfrenta um câncer linfático e, depois de quase morrer, vê a alegria renascer no relacionamento com uma jovem mulher (Bárbara Paz). O ponto de partida para o filme foi uma cena da vida real: a mulher dançando para ele sob uma chuva torrencial. É o belo epílogo do longa e fica como testamento do artista.

 

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