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Análise: George Lucas mostrou toda a força dos mitos e o poder da imaginação

Lucas foi além de Kubrick em ‘2001’, criando tecnologia para mostrar, com Yoda, que o que move o mundo é o que sonhamos acordados

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2015 | 14h13

Era uma vez numa galáxia muito distante. Havia uma princesa, um jovem príncipe – e o cínico Han Solo. Depois de estudar sociologia e se formar em cinema na Universidade do Sul da Califórnia, o jovem George Lucas estreou em 1965 com um curta sobre o futuro distópico – THX 1138. Cinco anos mais tarde, ele transformou o curta em longa. Como ficção científica, o futuro asséptico e totalitário de THX 1138 (a versão longa) deve bastante, senão tudo, ao Stanley Kubrick de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Passaram-se sete anos (e mais um longa) e Lucas, aos 33 anos – nasceu em 1944 – iria provocar uma verdadeira revolução na ficção científica, e no cinema em geral, com o primeiro opus de sua fantasia Star Wars.

O filme imediatamente virou um fenômeno planetário. E, na época – estreou no Brasil só no ano seguinte, 1978 –, causava espanto ler as entrevistas em que Lucas dizia que Guerra nas Estrelas (título brasileiro) integrava uma série de três trilogias. Causava mais espanto ainda quando ele explicava que Guerra nas Estrelas seria o quarto filme quando a série toda ficasse completa, e que ele havia resolvido saltar uma trilogia, iniciando pela segunda, porque ainda não havia tecnologia para o que ele se dispunha a fazer.

Como assim, não havia tecnologia? Kubrick, afinal, já avançara tanto no domínio da técnica, e dos efeitos, que muitos críticos escreveram, em 1968, que, para ser mais realista (documental?) que 2001 só partindo num foguete para as estrelas. Os demais episódios foram surgindo, não mais dirigidos por Lucas – O Império Contra-Ataca, de Irvin Kershner, em 1980; O Retorno de Jedi, de Richard Marquand, em 1983 – e aí ele confessou que sua opção pela segunda trilogia não fora ditada só pelo desafio tecnológico. Com base nos escritos do mitólogo Joseph Campbell, optou pela segunda trilogia porque ela narra a construção do herói, Luke Skywalker, e seria difícil ganhar o público, de cara, com a primeira, que constrói o vilão.

Ao longo de seis anos, entre Guerra nas Estrelas e O Retorno de Jedi, consolidou-se a Industrial Light and Magic, empresa de ponta que Lucas criou para incrementar sua visão do futuro e viabilizar arquétipos que já existiam no imaginário do público. Agora, no retrospecto, e prestes a se iniciar uma nova etapa – com a estreia de Episódio 7 – O Despertar da Força –, pode-se dizer, que Lucas foi um visionário e que Guerra nas Estrelas marcou uma data na história do cinema. Alguns críticos dirão que Lucas – e Steven Spielberg, seu parceiro em tantos projetos – infantilizou a produção de Hollywood e transformou os filmes não mais em eventos artísticos, mas mercadológicos.

Pois na esteira de Star Wars e seus personagens mitológicos – Han Solo, Luke, Leia, R2-D2, C-3PO, Yoda, etc. – surgiu toda uma indústria para aumentar o faturamento milionário. Bonecos, jogos, HQs. É verdade que Lucas não inventou nada disso, porque desde o começo dos anos 1970 o cinemão já vinha investindo em filmes eventos (Love Story, O Poderoso Chefão), mas sem dúvida que a história da nova Hollywood destaca, e muito, sua contribuição/vocação para criar eventos mercadológicos. Lucas, e isso também é fato, sempre foi melhor produtor. Passaram-se 16 anos e, em 1989, de novo como diretor, ele lançou o primeiro exemplar da segunda, agora primeira trilogia. Nas pegadas de A Ameaça Fantasma vieram O Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith, convertidos em episódios 2 e 3.

Em 2005, Anakin Skywalker assumiu sua máscara do vilão Darth Vader. Pela ordem, a construção do vilão (a primeira trilogia), a do herói (a segunda). E a terceira? Lucas sai de cena e entra a nova geração. Com Yoda, em O Império Contra-Ataca, ele nos introduziu num mundo que se move com a força da imaginação – o sonhar acordado do cinema. Pergunte a Guillermo Del Toro e Ridley Scott, como fez a revista Total Film –, e eles dirão que Star Wars, rebatizado como Episódio 4 – Um Novo Começo, foi seminal. O filme que provou que não existem limites para a imaginação. E Scott acrescentou, sem preconceito – a versão fliperama de 2001. Como diz agora J.J. Abrams, seria um crime decepcionar os fãs.

COMO ASSISTIR

Em DVD

É possível encontrar boxes com as duas trilogias (a clássica, lançada entre 1977 a 1983, e a nova, de 1999 a 2005) nas livrarias e lojas online pelo preço de R$ 50  

Em Blu-Ray

Versões remasterizadas, com mais extras e melhor qualidade. O pacote que traz os seis filmes da saga e mais três discos com 40 horas de bônus e material exclusivo sai por R$ 199,90 

Na TV

Canal pago Space e os serviços Now (da Net) e Netflix estão exibindo os filmes também 

NÚMEROS

2,2 

bilhões de dólares é o total arrecadado pelos seis filmes lançados pela franquia  até hoje  

250 

milhões bonecos de ‘Star Wars’ foram vendidos entre 1978 a 1986  

 

10  

estatuetas do Oscar ganhou a franquia. Além disso, os filmes foram lembrados em outras 15 indicações

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