Análise: filme 'Rocky Horror Picture Show' foi um marco extravagante dos ‘midnight movies’

'Rocky Horror Picture Show', de Jim Sharman, é produção inglesa, mas foi em Nova York que estourou para o mundo

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2016 | 06h00

Você já deve ter ouvido de certos filmes lendários que, nos anos 1970, produziam verdadeiros happenings no circuito alternativo de Nova York. O primeiro deles foi El Topo, seguido de A Montanha Sagrada, de Alejandro Jodorowsky, de 1970 e 1973, dois clássicos das sessões da meia-noite que, não raro, exigiam a intervenção da polícia para conter quebra-quebras monumentais e orgias grupais – não que os filmes tenham a ver com isso, mas elas se tornaram frequentes.

Anos depois, em 1975, outro filme marcou época e virou sinônimo de transgressão. The Rocky Horror Picture Show, de Jim Sharman, é produção inglesa, mas foi em Nova York que estourou para o mundo e não apenas virou o preferido das ‘midnight sessions’, como ficou anos em cartaz em cinemas decadentes chamados de ‘poeira’, na fase anterior aos multiplex. Sua origem foi uma peça de teatro, com números musicais, parodiando filmes de ficção científica e horror dos anos 1930 até a época da produção no teatro. Como ficou anos em cartaz, novos títulos – e paródias – foram sendo acrescentados ao espetáculo no palco.

O filme foi ainda mais longe e ostenta o título de lançamento mais longevo do cinema – foram 40 anos (40!) em cartaz, sempre como o ‘midnight movie’ por excelência. A história é sobre um casal cujo carro quebra durante uma tempestade e eles buscam abrigo num castelo próximo, mesmo que o local pareça lúgubre. Chegam durante uma festa, cheia de personagens bizarramente fantasiados. Descobrem que o local pertence a um cientista alienígena louco e travesti, que está criando um novo homem musculoso em seu laboratório.

Bissexual, o cientista seduz, separadamente, marido e mulher e a festa prossegue como uma orgia sem fim. Revisto hoje, o filme talvez não seja muito engraçado, mas dá para entender rapidamente os motivos que levaram ao culto. Trata-se de uma extravagância audiovisual, com figurinos que Sue Blane aproveitou do acerto dos tradicionais Hammer Studios. A própria locação – o castelo em que tudo se passa – é uma propriedade rural, Oakley Court, que Hammer mantinha sob contrato, com a exclusividade da utilização. De volta aos figurinos, as meias arrastão rasgadas e os cabelos tingidos tornaram-se clássicos punks, e tudo começou com Rocky Horror.

Um filme com esse título tem de ter muita música – criada, letra e música, por Richard O’Brien, que faz Riff-Raff. Tim Curry, que faz o cientista, ficou marcado pelo papel, e ainda bem que Susan Sarandon não foi, porque não teria levado sua extraordinária carreira adiante. No final, olha o spoiler, vem a revelação. Todo mundo é ET, do planeta Transilvânia, da galáxia Transexual. Estão na Terra a passeio, para aprender os métodos de reprodução dos humanos. Claro que o sexo, no castelo, é liberado, e geral.

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