Análise: Exterminador de Arnold Schwarzenegger é interessante e dotado de autoironia

Filme O Exterminador do Futuro: Gênesis estreia no circuito nacional em 2 de julho

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

02 de junho de 2015 | 07h00

Arnold não é ator, todos sabem. Ninguém vai esperar dele um Hamlet. Ou, vá lá, um Lear. Mas ele não é apenas um fortão da vez que aparece na tela. É algo como um signo um tanto indefinível do mundo do cinema. 

Conhecemos sua história, e ela não é nada banal. Austríaco, fisiculturista, desenvolveu o corpo a ponto de ser eleito Mister Universo. Famoso no espaço restrito de sua área de atuação, ficou conhecido no mundo todo por seus filmes de ação em Hollywood, em especial O Exterminador do Futuro e Conan, o Bárbaro.

Tentou a política e não se pode dizer que tenha sido malsucedido, uma vez que se elegeu para governador da Califórnia, em 2003. Arnie, como o chamam nos EUA, é republicano como seu antecessor Ronald Reagan que, convém lembrar, começou como ator para terminar como presidente dos Estados Unidos, dos mais durões e reacionários que se tem notícia.

Em parceria com sua colega inglesa, Margareth Thatcher, Ronald Reagan lançou as bases para o mundo neoliberal em que vivemos até hoje. Reza a lenda que Schwarzenegger, recém-chegado aos Estados Unidos, se encantou com as palavras de um homem que discursava. Perguntou quem era. Disseram que era Nixon. Arnie perguntou a que partido ele pertencia. “Republicano”, informaram. “Então também sou republicano”, resolveu-se. 

Falando apenas de cinema, digamos que Arnie parecia especialmente talhado para os personagens que fizeram sua fama e cama. De maneira adequada, começou como o protótipo do homem forte da mitologia em Hércules em Nova York (1969). Tem uma pequena participação em um filme de prestígio como o noir O Perigoso Adeus (1973), de Robert Altman, mas estoura mesmo com Conan, o Bárbaro (1982), e na continuação, Conan, O Destruidor (1984). 

Talvez seu papel mais interessante seja mesmo o de O Exterminador do Futuro (1984), de James Cameron. Ok, a história é uma daquelas manjadas sobre o paradoxo do tempo. Há uma rebelião e um robô é mandado ao passado para matar a mãe do futuro revolucionário. Um filme mais intelectual discutiria os impasses da possibilidade teórica de alterar o presente eliminando no passado um dos seus protagonistas. Mas Cameron não está nem aí. E muito menos Arnold. No entanto, ele se mostra a figura mais adequada para criar esse personagem que, de fato, interpreta melhor que nenhum outro – um robô. 

Outro trabalho interessante é em O Predador (1987), de John McTiernan. Mas não se deve esquecer a autoironia de O Último Grande Herói, uma espécie de desconstrução desse gênero de filmes. Com esse conjunto de obra, Arnold fixou-se assim em nosso imaginário – o musculoso truculento, de rosto de lata, capaz de rir entre dentes de si mesmo. Chega a ser quase simpático. 

O tempo passou e o fortão da hora é Dwayne Johnson, de Terremoto – A Falha de San Andreas. Mas Dwayne ainda precisa comer muito arroz com feijão e jabá para chegar a Arnold. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.