Fotos Warner Bros.
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Análise: Esgotados os truques, o déficit de inventividade fica nítido em 'Jogador N.º 1'

Coloque entre parênteses o prazer solitário das citações e tente ver o filme como algo novo. Fica decepcionante

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

29 Março 2018 | 06h00

Não Gostei Filhote da estética videogame, Jogador N.º 1 revela-se também um acirrado exercício de nostalgia. Projetado para o futuro, o filme faz o culto ao passado numa hiperutilização da cultura pop dos anos 1980 sobretudo, mas não apenas. São citados filmes como Star Wars, Monty Python, Mad Max, Senhor dos Anéis, Blade Runner, etc. O mesmo vale para a música. Cria um tipo de fruição que poderíamos chamar “de reconhecimento”. A plateia nerd goza ao notar as citações e perceber que pertencem ao seu repertório. É algo palpável e não deve ser desprezado. O processo é similar ao de quando, por exemplo, do interior de uma complexa invenção jazzística, ressurge a melodia que faz parte da nossa memória. Livramo-nos de todas aquelas notas incômodas e nos refugiamos no regaço do conhecido. Uma felicidade sem novidades, cinema que oculta as complexidades do real. Esse glacê pós-moderno é tão espesso que pode camuflar a pobreza do bolo.

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Faça o teste. Coloque entre parênteses o prazer solitário das citações e tente ver o filme como algo novo. Fica decepcionante. Sob as piruetas de citações após citações, a história parece no fundo bem rala. Esgotados os truques iniciais, o déficit de inventividade mostra-se bastante óbvio. 

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