Fox Film
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Análise: Em 'A Forma da Água', Guillermo Del Toro mostra a força do indivíduo contra o sistema

Longa lidera as indicações para o Oscar, concorrendo em 13 categorias

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2018 | 06h02

Está sendo uma década gloriosa para os diretores mexicanos de Hollywood. Alfonso Cuarón ganhou o Oscar da categoria em 2014, com Gravidade, e Alejandro González Iñárritu emplacou o prêmio dois anos seguidos, em 2015 e 16, com Birdman e O Regresso. Isso deve irritar profundamente o presidente Donald Trump, que quer construir um muro para separar a ‘América’ do México, porque acha que todos os mexicanos são traficantes e/ou estupradores.

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A Forma da Água lidera as indicações para o Oscar, concorrendo em 13 categorias. 13! Guillermo Del Toro já levou o Globo de Ouro de direção e se ganhar, no dia 2, o prêmio do Director’s Guild, será imbatível na categoria. Del Toro ama o fantástico, que, para ele, é sempre uma ferramenta para entender melhor a realidade. Com A Espinha do Diabo e O Labirinto do Fauno encarou os fantasmas da Guerra Civil espanhola (e da ditadura de Franco). Agora, pode ser mera coincidência - será? -, mas A Forma da Água aborda justamente temas que têm estado em discussão nessa era recém-começada de Trump.

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A grandeza perdida da América. Na trama de A Forma da Água, garota muda se relaciona com ser híbrido - e aquático -, guardado a sete chaves num laboratório secreto. Ela tem uma amiga negra, um amigo gay. O ano é 1962, em plena Guerra Fria, e a URSS está levando a melhor na corrida espacial. Os militares acreditam que, de alguma forma, o homem aquático poderá ajudar os EUA a reverter a situação. A garota, os amigos, o homem aquático. E uma célula de comunistas, que tenta decifrar os segredos do laboratório. O quadro histórico é real, mas a simples presença do homem aquático subverte o chamado realista e joga o filme nos domínios do fantástico, que tanto atraem Guillermo Del Toro.

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Ele cria um universo de confinamento e de sombras. Música, fotografia, direção de arte, interpretações - Sally Hawkins e Richard Jenkins concorrem ao Oscar -, tudo é rigorosamente construído e ao mesmo tempo desmontado - imaginem, um homem aquático! - para, uma vez mais, afirmar a força do indivíduo contra o ‘sistema’. Pode ser que não seja tão bom quanto O Labirinto do Fauno, mas é muito bem dirigido, bom de ver e possui camadas. A riqueza do filme convida o olhar do público a viajar e decifrar o imaginário dessa obra singular.

 

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