Chris Pizzello/The New York Times
Chris Pizzello/The New York Times

Análise do Oscar 2021: A arte pede um mundo mais diverso, mais solidário

A uniformidade ariana saiu de moda – e já foi tarde. A saudável diversidade, que deu a nota na festa, comparece também na premiação

Luiz Zanin Oricchio, Especial para o Estadão

26 de abril de 2021 | 15h58

Foi uma festa múltipla e colorida, com muitas pessoas negras, asiáticas, latinas. A uniformidade ariana saiu de moda – e já foi tarde. 

A saudável diversidade, que deu a nota na festa, comparece também na premiação. O grande vencedor foi Nomadland, ganhador em três categorias: melhor filme, direção (Chloé Zhao) e atriz: Frances McDormand. Filme dirigido por uma chinesa de nascimento, interpretado por uma norte-americana da gema, tendo por tema os desvalidos do sonho americano. Os dois primeiros prêmios eram previsíveis. O terceiro, não. A favorita era Viola Davis por A Voz Suprema do Blues

Meu Pai foi responsável pela maior surpresa da noite. Dava-se como certo o prêmio póstumo a Chadwick Boseman, mas quem ganhou foi o impecável Anthony Hopkins. O filme levou também o Oscar de melhor roteiro adaptado. É um ensaio duro e comovente sobre a velhice. 

A terceira premiação inesperada veio na categoria documentário com o troféu para Professor Polvo, que desbancou o favorito, o romeno Collective. O filme vinha encantando os espectadores há tempos. Um mergulhador em crise faz amizade com um polvo fêmea e constrói toda uma narrativa ecológica e filosófica em torno desse encontro. 

Nesse momento de baixo astral planetário, é sintomático que filmes de cunho humanístico tenham saído vencedores. Nomadland mostra a crise, mas também os valores da solidariedade. Minari – Em Busca da Felicidade (melhor atriz coadjuvante para Yuh-Jung Youn), não esconde as dificuldades, mas exalta a força do trabalho, a importância da família e o acolhimento a imigrantes. Polvo fala da necessidade do equilíbrio com o planeta e Meu Pai alerta para os cuidados com a velhice. A arte pede um mundo melhor, mais diverso, mais solidário, menos competitivo. Utopia? Talvez. Mas não se vive sem ela. 

É CRÍTICO DE CINEMA DO ‘ESTADÃO’ E AUTOR DE OBRAS SOBRE O GÊNERO COMO ‘CINEMA NOVO’ E, DA COLEÇÃO APLAUSO, OS TÍTULOS SOBRE GUILHERME DE ALMEIDA PRADO E CINEMA E FUTEBOL

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