Robyn Beck/AFP
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Análise: Com o novo código de conduta do Oscar, já tem gente fora da disputa

A tomada de posição encerra um ciclo de especulações que começou com as denúncias de assédio contra o produtor Harvey Weinstein

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2017 | 06h00

É oficial. A Academia de Hollywood instituiu um novo código de conduta que passa a valer imediatamente. “Não há lugar na Academia para pessoas que abusam de seu status, poder ou influência de maneira que viole padrões reconhecidos de decência”, diz o documento assinado pela presidente da entidade, Dawn Hudson. A tomada de posição encerra um ciclo de especulações que começou com as denúncias de assédio contra o produtor Harvey Weinstein.

A Associação de Produtores já expulsara o indesejável Harvey, mas a cobrança continuou, até porque as denúncias não param de pipocar e atingem figuras como Dustin Hoffman, duas vezes vencedor do prêmio de melhor ator, por Kramer Vs. Kramer e Rain Man. A Academia criou uma força-tarefa para tratar de alegações de má conduta, “de forma a que possamos abordá-las justa e prontamente”. 

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A cerca de um mês do anúncio dos indicados para o prêmio da Academia em 2018, algumas consequências parecem inevitáveis. Kevin Spacey, tão indesejável quanto Harvey Weinstein, não será bem-vindo. Dustin Hoffman, que poderia ambicionar um terceiro Oscar por Os Meyerowitz, ou Família não se Escolhe, de Noah Baumbach – como o filme é produzido pela Netflix, talvez um Emmy ou um Globo de Ouro –, pode desistir.

E, apesar das suas imensas qualidades, Terra Selvagem, de Taylor Sheridan, será penalizado por ser a produção e distribuição da Miramax – dos irmãos Weinstein. Há outra discussão possível. É válido diminuir a obra pela má conduta do artista? Em tempos de correção política e empoderamento feminino, com certeza, sim.

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