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Análise: com leveza, 'Liga da Justiça' decreta o fim da 'Era Nolan' nos filmes da DC

Filme projetado para ser a consagração tornou-se um recomeço

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2017 | 06h02

A culpa toda é de Christopher Nolan e sua trilogia O Cavaleiro das Trevas, lançada entre 2005 e 2012, protagonizada por Christian Bale, o Batman da voz esquisita, extremamente realista – na medida do possível, em um universo no qual um sujeito que veste uma capa esvoaçante, um capuz de morcego e sai por aí dando uns sopapos em bandidos é facilmente aceito pela sociedade.

Enquanto a rival das HQs partia para as piadinhas e gracejos de Robert Downey Jr. como Tony Stark/Homem de Ferro, a DC preferia a sisudez. E deu certo com Nolan, e sua obsessão matemática de explicar tudo tintim por tintim. 

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O estúdio (a Warner Bros.) viu nessa linguagem a que seria a sua. A pessoa perfeita para isso chegou na figura de Zack Snyder, um amante das HQs – anteriormente, por exemplo, ele havia criado poesia visual com as adaptações de 300 e Watchmen. Em 2013, veio O Homem de Aço, com roteiro assinado por Nolan, cujo resultado ficou abaixo do esperado – em questões financeiras, e de apoio de crítica e público. 

Na cartada seguinte, Snyder colocou frente a frente os dois principais heróis da editora, Batman e Superman, anunciou inspiração no clássico das HQs Batman: O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller, causou seu alvoroço. A essa altura, já se percebia que o tom estava errado – não era isso que o público queria, oras. A Marvel, por sua vez, fazia rios de dinheiro entrarem diretamente na sua conta com dois filmes por ano, acertava inclusive nas produções com heróis pouco conhecidos, como Guardiões da Galáxia e Homem-Formiga. Onde a DC errou? 

Foi uma questão de genética. Logo no início, editora/estúdio e Snyder levaram como verdade a história de que “os personagens da DC são mais sérios”. Que bobagem. E a série de TV Batman, dos anos 1960, com Adam West, é uma das provas disso. 

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A outra é que, no âmbito das animações, a DC já ganhava de lavada da concorrência. Basta também lembrar de Batman: A Série Animada, um sucesso de três temporadas, criada na década de 1990. Até mesmo a Liga da Justiça teve grandes momentos nos desenhos animados. A resposta sempre esteve ali, só não queriam vê-la. 

Faltava leveza, o que não significa que a estética apocalíptica de Snyder estivesse completamente equivocada. Bastava pequenos ajustes. A começar por limpar a herança de Nolan. O Batman já é outro (Ben Affleck tem algum carisma). Mataram o Superman para recriá-lo da forma certa. A Liga da Justiça projetada para ser a consagração tornou-se um recomeço. 

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