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Análise: Com história solta, 'Minha Mãe É Uma Peça 2' pode fazer rir e chorar

Filme é esperança de sucesso, e com salas realmente lotadas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2016 | 03h02

Você viu o trailer, sabe dos novos problemas de Dona Hermínia. O filho deixou de ser gay e virou bi, a filha entra para o teatro e troca Niterói por São Paulo, a irmã vem dos EUA para se hospedar na casa. Qual é, dentro dessa série de situações, a história de Minha Mãe É Uma Peça 2? Na cabine de imprensa em São Paulo, muitos jornalistas reclamaram – o filme não tem curva, é uma sucessão de vinhetas. “Mas riram?”, quis saber Paulo Gustavo. “Riram, né, mas mesmo assim vão reclamar. Meu roteirista foi fazer um curso com um desses grandes de Hollywood, o cara que mais manja de roteiro. E ele disse que roteiro de comédia é mais livre, não precisa ter essa coisa de curva. Testamos com diferentes públicos e funcionou que foi uma beleza.”

E não se trata só de riso – é bom levar um lencinho, porque, além de chorar de rir, você se arrisca a chorar de verdade, com os momentos de emoção dentro de Minha Mãe 2. A ciência do filme, se é que existe ciência nisso, é dosar as emoções. Muito humor, e quanto mais incorreto melhor, uma pitada de drama. Paulo Gustavo só tem elogios para seu diretor – “O Cesinha (César Rodrigues) é muito bacana” – e o elenco, então... Não elogia apenas Rodrigo Pandolfo e Mariana Xavier, que fazem seus filhos. Patricya Travassos, Suely Franco e Alexandra Richter também marcam presença. “Já amava a Patricya muito antes de ter uma carreira. Sempre fui tiete dela”, ele revela.

Minha Mãe É Uma Peça 2 é a grande aposta de mercado do cinema brasileiro nesse finalzinho de 2016. O filme está sendo lançado em mil salas – mil! É a força do fenômeno Paulo Gustavo. No teatro, na TV e no cinema, ele não nega fogo. Minha Mãe (o um) fez 4,5 milhões de espectadores. Vai Que Cola – O Filme, 3,5 milhões. No teatro, ele lota sempre, não importa por qual peça. Agora é Online. E, na TV paga, acumula 220 Volts, Vai Que Cola, vem aí A Vila. TV paga! Paulo não vem da TV aberta. Pertence a outro departamento.

O maior sucesso brasileiro do ano – Os Dez Mandamentos – teve bilheteria plena, mas plateias vazias (ou quase). Com Paulo Gustavo há a esperança de que lote de verdade. Na entrevista, ele fala sobre a responsabilidade de abordar temas sérios com humor. Dona Hermínia mudou, mas continua a mesma – mais bonita, mais chique, mais elegante, mas também mais exagerada. E sempre priorizando os filhos. Juliano virou bi, Marcelina se juntou a um povo de teatro. Em plena era de pastores que prometem a cura gay, quando não demonizam o homossexual, Dona Hermínia está alarmada com o interesse de Juliano por mulheres. E Marcelina – a garota obesa voa no palco como Sininho, na montagem de Peter Pan. Paulo Gustavo e seu diretor, César Rodrigues, acreditam na arma do riso. O filme é essa sucessão de vinhetas. Na família e no trabalho, na balada. Até onde chegará Paulo Gustavo no novo filme? Quantos milhões (de espectadores)? Quem acha que fazer blockbuster é fácil – e permanecer no topo, idem –, não tem noção do que representam os números. E o filme é, sim, bom. 

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