Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Análise: 'Ana e Vitória' é versão feminina do filme 'Tamo Junto'

Matheus Souza dirige longa sobre a carreira da dupla Anavitória

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2018 | 16h00

Há dois anos, Matheus Souza apresentou em Gramado seu filme mais simpático. Talvez não seja um grande elogio, mas Tamo Junto possuía um encanto todo especial. O filme conta a história de dois amigos, Felipe/Leandro Soares e Paulo Ricardo, interpretado pelo diretor. Felipe fica solteiro e descobre que não quer curtir a vida adoidado e, sim, reconquistar seu antigo amor, ainda no tempo de escola, Sophie Charlotte. Paulo Ricardo, pelo contrário, quer transar muito e se entupir de drogas. A graça – até transgressora – do filme é que ambos vão atingir seus objetivos.

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Ana e Vitória parece agora uma versão feminina de Tamo Junto Tamo Junta. As cantoras Ana Caetano e Vitória Falcão irromperam no cenário musical com seu pop rural em 2015. Como duo, Anavitória, tudo junto, conquistou o Grammy e uma legião de fãs. Chegam agora ao cinema. O filme já começa musical. Ana e Vitória cantam e, antes mesmo que elas apareçam, a câmera movimenta-se no meio de jovens que não desgrudam de seus celulares, e que também cantam. Na trama, as duas garotas conhecem-se numa festa. Gostam de cantar, e resolvem formar uma dupla. São descobertas por um empresário do Rio, fazem sucesso, ganham até um disco de platina. Mas, exatamente como Felipe e Paulo Ricardo, Ana está atrás de um amor sincero e Vitória disposta a vivenciar o amor livre.

A partir daí, Matheus Souza entra na onda da comédia musical, integrando as canções (e suas letras) na narrativa. O que poderia ser um risco vira um filme ágil e divertido, mas principalmente moderno. Num Brasil cada vez mais polarizado e no qual os preconceitos se transformam em agressões verbais e físicas, o filme de Matheus fala de tolerância. Amores e relações são encarados sem os pressupostos de certo e errado, bom ou mau. Cada um sabe de si e das suas necessidades afetivas. Tudo o que não agride nem ofende é para ser tolerado.

Esse frescor que o filme possui deve-se muito às meninas. Há muito de autobiográfico na história de Ana e Vitória, e elas se tornam cada vez mais naturais em cena. Se o tema é o amor, tem de haver parceiros, que o filme vai introduzindo, sempre deixando uma pergunta no ar. Será que vai dar certo? As reviravoltas são muitas, mas, no final, tudo dá certo, exatamente como em Tamo Junto. Não vai nisso nenhum spoiler, porque você não sabe como serão esses pares. Com um diretor inteligente, e antenado, o cinema torna-se ferramenta para agradar ainda mais os fãs de Ana e Vitória.

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