Focus Features/Apple TV+, Netflix, Janus Films & Sideshow, Warner Bros. Pictures, Warner Bros. Pictures, Searchlight Pictures, Netflix, 20th Century Films via AP
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Análise: 'Ataque dos Cães' é o melhor filme pelo conjunto da obra

Seus maiores triunfos são originalidade, força e mise-in-scène inspirada

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2022 | 13h03

Com 12 indicações, inclusive a de Melhor Filme, Ataque dos Cães confirma seu favoritismo para o Oscar de 2022. Tem ainda as indicações de melhor direção (Jane Campion), ator (Benedict Cumberbatch), ator coadjuvante (Kodi Smit-McPhee), atriz coadjuvante (Kirsten Dunst), roteiro adaptado (Campion) e etc. Cercou por todos os lados para uma grande consagração dia 27 de março, na cerimônia de entrega das estatuetas. 

Obviamente, seus maiores trunfos são a originalidade, a força, a mise-en-scène inspirada, a qualidade de seus intérpretes. Quer dizer, o conjunto da obra. 

Tem concorrentes de peso? Com certeza. A começar - para falar apenas em qualidade - do maravilhoso Drive My Car, de Ryusuke Hamagushi, que também concorre como diretor. É um queridinho da crítica, com toda justiça. Seu cinema intimista, neste caso baseado em conto de Haruki Murakami, complexo e emotivo (porém contido) é digno de toda atenção. Mas dificilmente derrota Ataque dos Cães. Seria uma zebra. 

Há outros títulos fortes. O Beco do Pesadelo, de Guillermo del Toro, é soturno e assustador em sua dura prospecção da natureza humana. Steven Spielberg é um grande nome da Academia e sua recriação do clássico musical Amor Sublime Amor é digna de todo respeito. O distópico Não Olhe para Cima abafou na Netflix e é muito bom. Mas deve ficar por aí. Belfast é um trabalho memorialístico de Kenneth Branagh que não receia cair no artificialismo e no registro teatral. Muito bom, mas não para todos os gostos. King Richard: Criando Campeãs mostra a trajetória das tenistas Venus e Serena Williams pelo ponto de vista do pai que as criou e assessorou. Bacana, mas acho que não tem força para ir mais longe. Duna, para dizer com franqueza, sobressai mais pelos aspectos técnicos particulares que pelo conjunto. 

Para o troféu de melhor direção, a favorita é mesmo Jane Campion por seu Ataque dos Cães. Tem nomes fortes pela frente - Spielberg, Hamaguchi, Paul Thomas Anderson (por Licorice Pizza) e Branagh. Mas se apostarmos no favoritismo de Ataque dos Cães para melhor filme, o normal é que a cineasta faça a dobradinha como melhor diretora. 

Na categoria de Melhor Atriz a disputa é muito equilibrada. Penélope Cruz (Mães Paralelas) e Olivia Colman (A Filha Perdida) seriam boas escolhas. Mas, correndo por fora, há Kristen Stewart (Spencer) pela entrega na interpretação de uma atormentada Princesa Diana

Como Melhor Ator, parece não haver outro nome que Benedict Cumberbatch por sua desconstrução da masculinidade tóxica em Ataque dos Cães. Embora Denzel Washington faça um grande trabalho em A Tragédia de Macbeth

Na categoria Melhor Filme Internacional, o favorito disparado é o japonês Drive My Car. O italiano A Mão de Deus e o norueguês A Pior Pessoa do Mundo são também muito bons. Vale um destaque para A Felicidade das Pequenas Coisas, do Butão, que chegou mais longe do que se poderia esperar. Sua força é a comovente simplicidade em contraste com este nosso mundo cada vez mais complexo, incompreensível e ameaçador. Quem sabe não aconteça aqui a grande surpresa da noite de premiação?

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