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Amy Adams fala com extraterrestres no filme 'A Chegada'

Atriz interpreta uma linguista contratada pelo governo norte-americano para se comunicar com alienígenas e tem chances de estar na festa do próximo Oscar

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

28 de novembro de 2016 | 05h00

LOS ANGELES - Com seus imensos olhos azuis, Amy Adams já foi escalada para viver princesas (Encantada), freiras (Dúvida), Lois Lane (nos novos filmes com o Super-Homem), donas de casa (Julie & Julia) e a mulher do fundador de uma seita (O Mestre). A Academia a adora: concorreu cinco vezes ao Oscar. E tem chances novamente neste ano, em dose dupla, com A Chegada, de Denis Villeneuve, que estreia nesta quinta-feira (24), e Animais Noturnos, de Tom Ford, com lançamento no Brasil previsto para dezembro. Além da habilidade de se transformar em diversas mulheres diferentes, a atriz de 42 anos parece uma pessoa normal. Na entrevista coletiva, em Los Angeles, aparece elegante, claro, mas brinca que nem a equipe a reconheceu quando chegou ao local com roupas de pilates, o cabelo preso num coque displicente e sem maquiagem. 

Em A Chegada, interpreta uma linguista brilhante, convocada pelo governo para se comunicar com os alienígenas que estacionaram suas naves em diversos pontos do mundo. A Dra. Louise Banks lidera a equipe que tenta desvendar o que eles querem. “Seria maravilhoso ter uma língua universal. Mas estamos bem longe disso”, diz Adams. “O que temos em comum são as emoções e nossa experiência humana. Somos todos iguais. Todos temos medos, compaixão, amor, raiva. Mas não sabemos nos comunicar.” 

O longa do franco-canadense Denis Villeneuve (Sicario: Terra de Ninguém, Os Suspeitos), baseado num conto de Ted Chang, não foi pensado como uma declaração política. Mas terminou tendo esse contorno, dados os últimos acontecimentos no mundo, impulsionados pela polarização de opiniões em que ninguém parece se entender, ou mesmo querer tentar se entender. “O filme ganhou um peso geopolítico maior do que o pretendido”, afirma Adams. A suposta conexão por meio das redes sociais não a interessa. “Para mim, não é real. Uma das coisas que sempre me incomodou é ser mal interpretada. Quando você não está cara a cara comigo, tudo pode ser tirado do contexto. Então, para mim, colocar ideias nas redes sociais não é a melhor maneira de me comunicar.” Adams confessa não ser adepta nem de SMS. Prefere mesmo telefonar.

Rodar A Chegada teve alguns momentos incômodos, como a filmagem num campo cheio de lama. “Leonardo DiCaprio me disse uma vez: ‘A dor é temporária, um filme é para sempre’. É uma coisa de nada comparada com o que pessoas enfrentam ao redor do mundo.” Mas ela tem tentado evitar é trabalhar com pessoas agressivas – Adams não esconde seus problemas no set de Trapaça, de David O. Russell, famoso por gritar e tratar mal seus atores. A razão é sua filha Aviana, de 6 anos. “Más experiências são parte de qualquer trabalho. Todos tivemos chefes que nos fizeram pensar: ‘Nossa, não precisava ser tão difícil’. Só que, neste momento, para mim é fundamental manter sanidade e estabilidade mentais.” 

Em A Chegada, conta, teve uma de suas melhores experiências num set de filmagem. “Talvez porque estivessem falando francês, então nunca sabia se havia uma emergência”, disse. Um raro caso em que a comunicação incompleta pode ser uma vantagem.

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